30 junho 2011

E AGORA?!

                                                                                   Eagora?

A esquerda conservadora, os professores, os polícias, os magistrados, o Mário Nogueira, o Santana Castilho, o Manuel Maria Carrilho, o pessoal da TAP, os trabalhadores da CP, a Ana Benavente e muitos outros que ou queriam um governo de direita ou dizendo que não o queriam tudo fizeram para o ter. Pois os eleitores fizeram-lhes a vontade e agora têm um Presidente da República, um primeiro-ministro, um autarca em muitas das grandes cidades, uma presidente do parlamento, um presidente de um governo regional, todos de direita...

Imagino que o pessoal das escolas esteja contente com a revisão da avaliação e o exame de acesso à profissão, que o sindicato dos quadros técnicos do Estado esteja feliz com as rescisões amigáveis, que o pessoal da TAP já esteja a esfregar as mãos de contentes porque em vez dos recursos ilimitados dos contribuintes vão ter de prestar contas a um patrão, que o pessoal da CP se sinta feliz com a privatização.

E não vale a pena dizerem ao Sócrates para voltar porque está perdoado, nem ele volta nem os eleitores estão dispostos a mais brincadeiras. Também não vale a pena formarem maiorias absolutas na Avenida da Liberdade, o exemplo grego é deprimente e já não contam com o apoio dos autocarros das autarquias do PSD, não vale a pena protestar contra as portagens porque o PSD já deve ter desmobilizado as comissões de utentes, o encerramento dos serviços de saúde para passarem receitas contra a tensão vão mesmo fechar sem a oposição das manifestações espontâneas e aposto que se algum autarca se armar em parvo além do centro de saúde encerra também o município.

Acabaram-se as manifestações espontâneas mobilizadas por SMS para junto das sedes partidárias, acabaram as recepções a delegações dos sindicatos em luta pela direcção do PSD, desapareceram as esperas sistemáticas do Mário Nogueira ao primeiro-ministro em todas as suas deslocações. Como diria Chico Buarque acabou-se a festa pá.

O governo foi eleito, é um governo legítimo, está constituído e já apresentou o programa que será aprovado pela nova maioria. É um bom programa? Não é bom nem é mau, é o programa possível e marcado pelas opções liberais de Passos Coelho atenuadas pela estratégia partidária de Portas. É o programa que todos sabiam que viria a ser o programa de um governo de direita que saísse de eleições, é o programa desejado pelos que queriam derrubar o governo e mudá-lo por um governo de direita liderado por Passos Coelho, está lá quase tudo o que o líder do PSD defendia ainda antes de o BE ter apresentado a moção de censura votada favoravelmente pelo PCP, portanto, a esquerda conservadora tem o que sempre desejou.

Agora é tempo de esperar que a proposta liberal resulte legitimada pelo voto dos portugueses resulte, uma parte das medidas não difere do que já era o programa do PS, de algumas dizem ser melhorias, outras são mais radicais do que as defendidas pelo governo anterior, algumas são bem mais radicais. Resta-nos esperar para rirmos da esquerda conservadora, vê-la organizar manifestações contra as novas políticas em defesa do que está, isto é, daquilo contra o que organizaram manifestações no passado recente.

Como se dizia nos tempos da escola primária “E agora? Agora mija na mão e deita fora!”.

29 junho 2011

SENHOR PRIMEIRO MINISTRO, QUERERÁ DAR UMA PALAVRINHA?

Sempre achei um problema mal posto aquele do número de ministros, ministérios com leis orgânicas, secretários de Estado com conta peso e medida.Mas já que o primeiro-ministro deu tanta guita à questão quando o número de secretários de Estado estava fixado em 25, não nos quererá dar uma palavrinha sobre a derrapagem em mais de dez figuras dessas? Em termos de leis orgânicas que seja.Ou de qualquer critério que leve a eliminar a nomeação de um Secretário de Estado sem se dar pela sua substituião.Qualquer coisa que nos oriente, enfim.E seja tangível.

GRÉCIA

Grécia voto de austeridade e manifestações - as atualizações ao vivo


Os manifestantes montaram barricadas em chamas para bloquear ruas que conduzem ao Parlamento em Atenas
Os manifestantes montaram barricadas em chamas para bloquear as ruas levando para o parlamento em Fotografia Atenas: Panagiotis Tzamaros / Reuters
10:33: Vassilis Sylaides, um sindicalista no Intracom Electronics, tem falado a Socialist Worker sobre a violência na Praça Syntagma :
Vamos lutar para trás todas as medidas único que passou hoje. Hoje foi um ambiente muito pesado. A polícia usou gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral indiscriminadamente para remover as multidões. O ataque contra nós foi sem precedentes.
Polícia começou a atacar os trabalhadores encontro antes do meio dia. Hoje houve uma greve de transportes, que parou algumas pessoas chegar à praça. Mas uma carreata enorme cercou a área.
A Praça Syntagma estava cheio de pessoas, e assim foram as estradas em torno dele. As clareiras foram apenas onde o gás lacrimogêneo tornou-se demasiado intenso. O gás lacrimogêneo foi tão intenso que a estação de metro na Praça Syntagma cheio de milhares de pessoas. Tivemos que ir lá para respirar.
Amanhã teremos uma reunião na Praça Syntagma sobre o que temos que fazer a seguir, como fazer avançar a luta. Nós não vamos aceitar esta lei. Nós somos fortes e determinados.
09:58: Reuters tem mais sobre o número de feridos e presos durante a violência de hoje em Atenas:
Médicos que trabalham com os manifestantes disseram que havia tratado, pelo menos, 25 pessoas com ferimentos leves e centenas com problemas respiratórios, na estação de metro Syntagma adjacentes. Pelo menos 40 policiais foram feridos, o sindicato disse a polícia.
A polícia disse que 11 pessoas foram presas e 19 pessoas correram para o hospital. Autoridades de saúde disseram que um total de 99 pessoas foram tratadas em hospitais de Atenas.

POIS... NÃO DEPENDEMOS SÓ DE NÓS - JÁ SÓCRATES O DIZIA

                
Afinal este governo também recorre a medidas extraordinárias, após os Conselhos Europeus. Como Miguel Frasquilho disse ontem, já não sei em que canal televisivo, mesmo que nos portemos muito bem e cumpramos tudo o que temos que cumprir, a saída da crise não depende só de nós. Parece que Sócrates e o PS tinham alguma razão...
 Mas isso também já não interessa. Temos novo governo e novo programa, em que se vai privatizar tudo o que for possível, recorrer à iniciativa privada sempre que for possível. Na saúde: (...) Pela garantia do acesso universal e equitativo, tendencialmente gratuito, aos cuidados e serviços de saúde incluídos no plano de prestações garantidas; (...). Resta saber e definir quais são as prestações garantidas, tendencialmente gratuitas. Receio que se faça um pacote de cuidados a que todos têm direito, os tais que são garantidos, e depois os outros são para quem pode pagar individualmente. Ou seja - uma saúde para pobres, outra para ricos. Das taxas moderadoras pretende-se (...) garantir que apenas se isenta quem realmente necessita dessa isenção (...). A forma de identificar quem realmente precisa de isenção não está explícita. Pode sempre ser através de um cartão (cartão de pobre).
 Estas conversas sobre o utilizador / pagador lembram-me sempre os problemas dos pagamentos dos condomínios - quem mora no rés-do-chão não aceita pagar pelo elevador, pois nunca o utiliza.
 A aposta nas energias renováveis evaporou-se. Os transportes públicos devem ser incentivados, mas as parcerias com os privados são para avançar.
 Não tenho ilusões nem me espanto. Foi este o rumo que os eleitores escolheram.
in Defender o quadrado

VIAJANDO EM ECONÓMICA

E ONDE ANDAM OS SALVA VIDAS?...


Por mais que cumpramos com rigor o acordo com a ‘troika’, se a Grécia se afundar, nós afundamo-nos a seguir. E é toda a Europa que se agarra ao salva-vidas.
Tem por isso  razão Mário Soares ao fazer notar como é vergonhosa a forma como os lideres da União Europeia estão a tratar a Grécia.
E teve razão António José Seguro quando advertiu o Governo para não se exceder no zelo neo-liberal de ultrapassar o que a Troika nos impõe em medidas de austeridade, antes se aplique a investir o que for possível em crescimento económico e emprego. Porque é sobretudo à conta da receita de austeridade punitiva, sem condições para relançar o crescimento económico, que hoje a Grécia se acha ainda mais endividada e desesperada.

GAFFE PALHAÇA


Michele Bachmann, 55 anos, membro da Câmara dos Representantes apoiada pelo Tea Party Caucus, mãe adoptiva de 23 adolescentes, está na corrida presidencial americana. Bachmann, uma versão sofisticada de Sarah Palin, nasceu em Waterloo (no Iowa) no seio de uma família originária de noruegueses luteranos
.Ontem, discursando na sua cidade natal, regozijou-se pelo facto de ter nascido na terra de John Wayne. Esse! Azar dela, o John Wayne de Waterloo é um serial killer executado em 1994, conhecido como Palhaço Assassino por ter violado e assassinado em Waterloo 33 rapazes disfarçado de palhaço. (O actor a quem ela se queria referir nasceu em Winterset.) É o que se chama ter pontaria...
 in Da Literatura

28 junho 2011

ISTO COMEÇA MUITO MAL

Isto começa mal                                                         

                                                        


Ainda a formação do governo vai no adro e por mais que os grupos de comunicação social empenhados no negócio da privatização se esforcem em canonizar Passos Coelho antes deste ter feito qualquer milagre começam a ver-se sinais preocupantes.
 Há quem se esforce por elogiar gestos populistas como viajar em classe económica nos voos europeus ou gestos idiotas como chamar o ministro da Economia por Álvaro, mas a verdade é que a formação deste governo começou mal. Cortou-se no número de ministros mas nomearam-se mais dez secretários de Estado donde resulta que não se poupou um tostão, entregaram-se pastas a ministros sem qualificações e nomearam-se secretários de Estado para os ampararem, não se reduziu o número de pastas, antes pelo contrário, foram aumentadas e ao mesmo tempo desqualificadas.
 Elogiou-se muito o silêncio durante a escolha dos convites aos novos ministros mas menos de quatro horas de pois de divulgada a lista dos ministros foi divulgada a lista dos que se recusaram a sê-lo, com pormenores como a ida de Passos Coelho à casa de Vítor Bento. Se na divulgação dos nomes dos ministros houve alguma reserva já na nomeação dos secretários de Estado foi o que se viu, só faltou mesmo que o apresentador do boletim meteorológico tivesse divulgado o nome do secretário de Estado da Agricultura entre as previsões para o continente e para as ilhas. Chegou-se ao ridículo de ex-presidentes do PSD se terem entretido a divulgar nomes nos seus tempos de antena pessoais, Marques Mendes e Marcelo começam a parecer a bruxinha e a bruxa de Carnaxide.
 Marques Mendes acertou pois apostou num valor seguro do passismo, mas Marcelo serviu mais uma ‘vichyssoise aos seus fãs, divulgou o nome de Bernardo Bairrão para o lugar de secretário de Estado da Administração Interna. Teve azar, já depois de a Media Capital ter comunicado que o seu administrador delegado tinha apresentado a sua demissão Bernardo Bairrão foi saneado ainda antes de ter sido nomeado, uns dias antes tinha cometido um grave delito, ainda era administrador da Media Capital e manifestou-se contra a privatização da RTP.
 A central de comunicação ainda não está instalada mas a migração de jornalistas para o governo quase justifica o aluguer de um autocarro à CARRIS, já sendo evidentes os sinais de manipulação da informação e, pior do que isso, a repressão, por enquanto subtil, sobre quem ouse divergir da linha governamental. O episódio das viagens em classe económica é um bom exemplo de como se usa a comunicação social, primeiro “alguém” conseguiu que todos os jornais noticiassem que Passos Coelho viajará na Europa como se fosse um monge franciscano, mas quando se soube a TAP nada cobra alguém do governo se apressou a informar que não tinham responsabilidades na divulgação da informação.
 Mais preocupante são os sinais de tentativas de promover aquilo que durante muito tempo se designou por ‘asfixia democrática’. Primeiro foi Pacheco Pereira a denunciar a existência de sinais de tentativas de saneamento de comentários desalinhados por parte de comentadores social-democratas ao mesmo tempo que chama a atenção da ‘transumância’ de jornalistas para os gabinetes governamentais. Quase em simultâneo o director-adjunto do jornal Expresso receava “criar-se uma unanimidade nacional e a quase proibição de reparos ou críticas ao Governo (…) que o jornalismo livre e independente não pode nem deve aceitar”
 Um governo com ministros sem aptidões para as múltiplas pastas que vão gerir, professores universitários que acham que podem trazer para o governo a cultura de caserna das universidades, jornalistas transformados em políticos para manipular informação, opiniões e sentimentos e um primeiro-ministro que parece ser tutelado por ex.-presidentes falhados do PSD ou pelo que fugiu dos problemas do país para os criar na Europa pode ser um péssimo sinal e faz-nos recear que os próximos tempos não sejam dos mais saudáveis da democracia portuguesa, sente-se no ar a intolerância, a manipulação e a perseguição. Isto começa mal!!!!
Excelente análise de O JUMENTO

SÃO TUDO INDEPENDENTES?

                                                                          
São tudo independentes?
Além do recrutamente intensivo em faixas etárias post-estágio, a coligação apresenta um número elevado de governantes independentes. Mas serão tudo independentes, ou há muito pessoal que apenas desesperava de ver os partidos de direita na oposição sem valimento político?
Sempre achei um problema mal posto aquele do número de ministros, ministérios com leis orgânicas, secretários de Estado com conta peso e medida.Mas já que o primeiro-ministro deu tanta guita à questão quando o número de secretários de Estado estava fixado em 25, não nos quererá dar uma palavrinha sobre a derrapagem em mais de dez figuras dessas? Em termos de leis orgânicas que seja.Ou de qualquer critério que leve a eliminar a nomeação de um Secretário de Estado sem se dar pela sua substituião. Qualquer coisa que nos oriente, enfim. E seja tangível. in cortex frontal, por Medeiros Ferreira
 

 


DO ABRUPTO

NOBRE, OS ACAMPADOS E A "DEMOCRACIA VERDADEIRA, JÁ!"



O comentário político está tão subserviente e balofo, salvo honrosas excepções, que funciona por simples moldes virais, mais ou menos formatados, entre a adesão ao poder sem disfarces, a propaganda pura e o wishfull thinking. Enquanto na era Sócrates esses moldes virais, frases, pseudo-argumentos, contra-argumentos, eram preparados profissionalmente, agora ainda dependem muito do entusiasmo entre o ingénuo e o servil que por aí anda entre blogues, jornais e televisões. Com o tempo, virá a profissionalização e também teremos a nossa nova câmara corporativa governamental para a qual não faltam voluntários. Não admira que haja quem queira sanear os comentários que não alinham com o modo dominante, uma pulsão que eu conheço muito bem e já de há muitos anos. Acentuou-se muito com o governo Santana Lopes, onde atingiu Marcelo Rebelo de Sousa, ganhou foros de obsessão com Sócrates que não se coibiu de roçar a ilegalidade para garantir o saneamento dos jornalistas considerados hostis e agora move a patrulha de amigos de Miguel Relvas, de quem ele foi e é fonte e patrocinador. É, aliás, muito pedagógico ver o movimento de jornalistas para os gabinetes governamentais, uma transumância que devia ter tanta transparência e exposição pública como a de ministros e secretários de Estado. Mas este escrutínio, de um modo geral, a comunicação social hesita em fazer. do  ABRUPTO

SAIR DO EURO?

                                                                                                  
Ver as imagens  chegadas da Grécia que nos deixam a ideia de um país em guerra civil, divorciada da paz europeia, não estimulam pensamentos de unidade e apego ao projecto europeu antes nos faz crescer o pessimismo sobre o futuro dessa Europa   politica e económicamente unida, ao que parece inviabilizada pelos egoismos  nacionais, pela ausência de uma matriz identitária que cimente a unidade e pela ausência de lideranças fortes que não se limitem a cuidar da mera mercearia.  Nestas circunstâncias será curial que Portugal comece a cuidar de si,   preparar-se para recuperar a sua moeda e remeter-se à condição de pobrete e alegrete? Socorramo-nos para pensar o assunto da seguinte análise :
-Tenho muito respeito pelo Prof. João Ferreira do Amaral como economista.
Reconheço a correcção de muitas advertências e críticas que fez à forma como Portugal entrou no Euro.
E concordo com o essencial da sua análise (na SIC NOTICIAS, em entrevista ontem a José Gomes Ferreira) sobre as virtualidades, insuficiências e erros que detecta no Memorando de Entendimento assinado com a Troika, e no entendimento que Governo/PSD aparentemente fazem dele, incluindo a ineficácia que aponta à ideia de baixar a TSU para estimular a produção de bens exportáveis.
Mas já não concordo, fundamentalmente, com a defesa que o Prof. João Ferreira do Amaral faz de uma saída "ordenada" e "ajudada" de Portugal do Euro, como forma da economia voltar a crescer significativamente, nos permitir reduzir a dívida e regressar ao mercado para nos financiarmos.
O próprio Prof. João Ferreira do Amaral reconhece que negligencia as implicacões políticas da solução que preconiza.
Só que, de facto, politicamente uma saida do Euro significaria a saída de Portugal do projecto de construção europeia. E, de facto, não há garantia de "ajuda" nenhuma, para uma qualquer retirada "ordenada". Não há, nem haverá, por muito que nos esmifrassemos para a conseguir.
Uma qualquer iniciativa de Portugal no sentido de admitir agora, no actual contexto de crise europeia, uma saída do Euro, constituiria um grave golpe politico não apenas à sustentabilidade do Euro, como à própria sustentatabilidade do projecto de construção da União Europeia.
No mundo globalizado em que vivemos, desistir do Euro seria desistir da Europa. E desistir da Europa não pode, de maneira nenhuma, convir a Portugal e servir aos portugueses.[
AGomes]

TIRO AO ÁLVARO, PERDÃO, AOS SINAIS

O Álvaro


Atirada à James Bond, "Álvaro, chame-me Álvaro", do ministro da Economia pertence à família do "hospedeira, sente-me em classe apertadinha", do primeiro-ministro. São medidas gratuitas. Mas quem disse que as medidas boas têm de ser caras? Bem fez o ministro que se vai ocupar da Economia, do Comércio, da Indústria, do Turismo, das Obras Públicas, dos Transportes, das Comunicações, da Energia, da Habitação e do Emprego, bem fez ao preferir maior largura nas funções do que no cartão de visitas do cargo (ele pede para não ser tratado por ministro). A tradição nacional é ao contrário, é o de muita jactância pelo posto e pouca exigência no trabalho. Ora, é altura de nos desfazermos desses hábitos que nos têm atrasado a vida. Com medidas como as viagens em económica talvez se poupe pouco, mas não é esse o ponto. Ao prescindir do seu bilhete em executiva, Passos Coelho condenou os seus directores-gerais a serem menos gulosos na próxima mudança da frota automóvel, e assim por diante. Ao pedir um tratamento informal, Álvaro Santos Pereira não convida o porteiro do ministério a tratá-lo por Barito. Mas, num país em que a dupla consoante é meio caminho para entrar nos conselhos de administração, ele fez uma revoluçãozita ao sublinhar o nome próprio (onde mora o mérito dos homens). Em todo o caso, repita-se:
-estes sinais, se pararem aí, não valem nada.

27 junho 2011

O GOVERNO FRACASSA PORQUE É UM GOVERNO DE PORTUGAL...

                                                                                 


Se alguma coisa distingue os comentadores de política dos de futebol é que os de futebol são melhores.  A principal marca dessa superioridade é esta: os comentadores políticos recorrem muitas vezes a metáforas do mundo do futebol para explicar a política, mas os comentadores de futebol teriam justa repugnância em utilizar o jargão político para explicar uma coisa pura e bonita como é o futebol.  Além disso, há nos comentadores de futebol uma humildade que os eleva... Jorge Batista pode criticar Cristiano Ronaldo, mas não ousa acreditar que faria melhor do que ele no campo.  Em contraponto, qualquer editor de política que ponha em causa  as opções de determinado primeiro-ministro não esconde que, lá no fundo, acredita que seria um chefe de governo mais competente.
A ingenuidade dos comentadores de política, que contrasta com a frieza experiente dos comentadores de futebol, vem ao de cima em momentos como este. A formação de um novo Governo tem dividido as opiniões: certos comentadores creem que há razões para ter esperança porque as escolhas de Passos Coelho foram boas, outros acham que não há motivo para festa porque as escolhas foram más.  Uma vez mais estão todos errados.  Este Governo não vai fracassar apesar das boas escolhas ou por causa das  más escolhas.  Este Governo vai fracassar porque é um Governo.  E, ainda por cima   é um Governo de Portugal.  São duas circunstâncias irremediavelmente trágicas...
in Visão, por R.A.P.

A EVOLUÇÃO DE DARWIN

A Evolução de Darwin: Uma viagem à origem das espécies



A Casa Andresen, no Jardim Botânico do Porto, está de cara lavada. A casa que outrora acolheu a família da poetisa Sofia de Mello Breyner Andresen acolhe, agora, Charles Darwin e um número sem fim de protagonistas de uma jornada que nos leva desde as origens da taxonomia aos mecanismos da transmissão da informação genética. Uma experiência evolutiva a não perder.
 Em 1831, Charles Darwin integra uma viagem à volta do mundo, como naturalista, a bordo do brigue Beagle. Refutando o imutável e o intemporal, Darwin constrói uma teoria que defende a evolução das espécies a partir de um ancestral comum através da seleção natural.
Rejuvenescida, a Casa Andresen abriu portas em Fevereiro com uma perspectiva histórica sobre o nascimento d’A Origem das Espécies. Entre plantas e animais, fósseis e minerais, artefactos e esqueletos, A Evolução de Darwin ganha forma quando enquadrada com a anatomia comparada de Georges Cuvier, a demografia de Thomas Malthus e a biogeografia de Russel Wallace. Até Jenny, a orangotango que desafiou Darwin a comparar os comportamentos e as expressões das emoções entre homens e animais, lá está. O quadro completa-se com o neodarwinismo, corrente que, no início do século XX, sintetizaria a teoria de Darwin com a genética moderna.

SENHOR DOUTOR... DA MULA RUÇA


                                                                                 


De visita a uma feira, Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, Emprego e Obras Públicas, reagiu ao tratamento protocolar de Senhor Ministro. Contou um episódio passado em Oxford, onde os professores se tratam por Bill e Eddie, afirmando querer ser tratado simplesmente por Álvaro. Marcelo Rebelo de Sousa não deixou passar a oportunidade para (com razão) ironizar: Imagino o motorista: Álvaro, vamos para o ministério ou bebemos um café?
Portugal é o único país da Europa, sendo as excepções do vasto mundo o Brasil e Angola, em que toda a gente é tratada por doutor. Basta ir a um seminário para verificar que só os participantes portugueses têm a identificação antecedida de grau académico, motivo de anedotário entre pares estrangeiros. Cá dentro o ridículo atinge o paroxismo, com alguns a puxar em directo na televisão os galões à cátedra. Miguel Frasquilho tem sido vítima de um colega seu de partido que (ele o diz) até é prof e está sempre a invocar essa condição. O estado de Graça de que está a gozar o novo governo releva do brilho dos currículos académicos de alguns nomeados. Poucos se preocupam em saber se vão ter estaleca para nos tirar do buraco: são doutores, isso basta! Num país em que colunistas generalistas assinam “Fulano, jurista” ou “Beltrano, historiador” (numa assunção clara de falta de autoridade do nome), Álvaro Santos Pereira, ministro da Economia, Emprego e Obras Públicas, tem pela frente um longo caminho. O país dos bachareis de Camilo deu lugar ao país dos doutores da mula russa. Proponho que o senhor ministro Santos Pereira faça aprovar em Conselho de Ministros uma norma que, em matéria protocolar, nos equipare ao mundo civilizado

A DECORADORA DA ÁRVORE DE NATAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Nini Andrade e Silva
Neste ano, a árvore de Natal teve como autora a designer Nini Andrade Silva, que se inspirou nos jardins de buxo existentes no Palácio de Belém para a sua edificação. Na mesma ocasião foi também inaugurada a Mesa da Ceia, decorada pela mesma autora, que recorreu a flores e plantas oriundas da Madeira, ilha de onde é natural.
Esta decoradora recebeu  de Sua Excelência o Senhor Presidente da República a  no 10 de Junho de 2011 a comenda da ordem do Infante D.Henrique, não certamente por ter decorado a árvore de Natal e a mesa da consoada do Palácio de Belém. Mas não conseguimos obter nota de outros patrióticos feitos da nova comendadora.Apenas que fazia parte dos seus sonhos e projectos de vida ser agraciada pelo Senhor Presidência da República D.N.(link supra)

nini


Neste ano, a árvore de Natal teve como autora a designer Nini Andrade Silva, que se inspirou nos jardins de buxo existentes no Palácio de Belém para a sua edificação. Na mesma ocasião foi também inaugurada a Mesa da Ceia, decorada pela mesma autora, que recorreu a flores e plantas oriundas da Madeira, ilha de onde é natural.
A Árvore de Natal e a Mesa da Ceia ficarão patentes ao público que visita o Museu da Presidência e o Palácio de Belém, até ao dia 10 de Janeiro.
03.12.2009

26 junho 2011

TEMPOS OBSCUROS

“Este é, a nível de perfil e de intenções, o Governo mais à direita que tivemos em 37 anos de democracia”
• Miguel Sousa Tavares, APERTEM OS CINTOS DE SEGURANÇA [hoje no Expresso]: “(…) Passos Coelho fez o Governo que queria, foi coerente com as ideias ultraliberais que defende e, em consequência, este é, a nível de perfil e de intenções, o Governo mais à direita que tivemos em 37 anos de democracia. E nada a dizer quanto a isso: o país votou à direita, vai ter uma governação de direita. As vozes das virgens escandalizadas que já se levantam na extrema-esquerda (PCP, BE e CGTP) são absolutamente hipócritas: eles quiseram derrubar o governo Sócrates para experimentar a direita, porque estimaram que isso iria favorecer o êxito do seu combate de rua. Pois agora experimentem e saiam para a rua (…).” “Também houve mais um 10 de junho e Cavaco, o anticlientelas, lá voltou a condecorar as suas habituais clientelas femininas. Leonor Beleza foi condecorada por ter gasto a instalar-se muito (depois se verá se bem) do dinheiro deixado por António Champalimaud a Portugal. Manuela Ferreira Leite deve ter sido condecorada por ter feito, na última meia-legislatura, dois discursos contra Sócrates, criticando-lhe o mesmo género de políticas financeiras que ela própria levou a cabo no governo Barroso. E uma jovem decoradora, cujos talentos o país desconhece, terá sido condecorada por razões que o país também desconhece. Se, de vez em quando, Cavaco Silva tivesse um estertor de grandeza, teria antes condecorado um homem chamado Fernando Teixeira dos Santos, cujas responsabilidades, em tempos terríveis, foram um pouco além da decoração de interiores: teria sido um exemplo para o país meditar. Mas não é por acaso, e sim por ser quem é, que ele prefere antes condecorar a sua gente. De novo me socorro de Camões: ‘Que outrem possa louvar esforço alheio/ Cousa é que se costuma e se deseja/ Mas louvar os meus próprios, arreceio/ Que louvor tão suspeito mal me esteja’.”

A PEPINEIRA PASSISTA

Passos Coelho vai embarcar
Os media entraram em orgasmo colectivo perante o magnânimo gesto de Passos e dos seus quatro acompanhantes de  viajarem  para Bruxelas em classe económica. Felgueiras, em transe: O primeiro-ministro mandou trocar as passagens de Primeira Classe por lugares em Classe Económica. Dando de barato que a jornalista confunde primeira classe (inexistente nos vôos dentro da Europa) com classe executiva, o que é que vai acontecer? O primeiro-ministro e acompanhantes terão sido convidados a passar para os lugares da frente. Nenhum avião descola sem que o comandante seja informado da presença de VIP's a bordo. Não confundir com pessoas que aparecem nas revistas do social.
Por maioria de razão, o vôo que levou Passos a Bruxelas terá sido monitorizado com pinças como é de norma.  Admitindo que o primeiro-ministro, num gesto para tv registar, recusasse mudar de lugar (e com ele o bando dos quatro), não seria  preciso ser bruxo para adivinhar que a tripulação zelaria por estabelecer um cordão sanitário entre suas excelências e os outros passageiros. Afinal de contas, se suas excelências não tivessem lugares vagos ao lado, onde é que punham os dossiês que levavam na mão? Tudo isto é uma pepineira. Em nome do alarde do demagógico franciscanismo, o PM obriga a companhia a mudar toda a logística de vôo, porventura a antecipar o overbook.
Estranho mesmo é ninguém se ter  lembrado de perguntar: E o Falcon do governo? Foi para a sucata?

Mário Soares diz que PS "tem de ser refundado" e "ter política a sério"



Mário Soares diz que PS "tem de ser refundado" e "ter política a sério"política a sério"
Arcos de Valdevez, 25 jun (Lusa) - Mário Soares defendeu hoje, em Arcos de Valdevez, que o Partido Socialista "tem de ser refundado" e "ter política a sério".
"O PS tem de ser refundado de alguma maneira, tem de ser melhorado, tem de discutir política a sério e tem de ter política a sério e grandes ideias para o futuro", afirmou Mário Soares.
Em relação às eleições para a liderança do PS, Soares reafirmou que não toma partido por nenhum dos candidatos.
"Sou amigo de ambos, são ambos muito inteligentes, muito bem preparados, qualquer um dá um bom secretário-geral do partido", afirmou.
Soares falava à margem da iniciativa Concelho de Estado, que nesta segunda edição homenageou Mikhail Gorbachov.
O antigo líder não esteve presente, por questões de saúde, mas enviou uma mensagem gravada, em que alerta para o "impressionante estado das finanças" na Europa e para o perigo de serem os mercados a comandar os destinos dos países, em vez de serem os governos.
Uma mensagem partilhada por Mário Soares, que sublinhou que a situação na Europa "é caótica" e que urge mudar o paradigma.
"Se não muda o paradigma, vamos caminhar para uma situação muito difícil", avisou.
Disse esperar que a Grécia "se aguente e que a Europa ajude", porque não se trata de "qualquer país" mas sim do "berço da civilização".
Quanto à situação de Portugal, o antigo Presidente da República disse que o país não está "nem pouco mais ou menos" pior que a Grécia.
"Desejo ao novo governo o melhor que possa fazer e os melhores votos para trazerem ao país o que precisa e esperamos, porque acima de tudo está Portugal", afirmou Soares, concordando que os tempos que se avizinham serão difíceis.
"Toda a gente tem de acreditar que o pior está para vir, dizem-nos isso todos os dias", atirou.
VCP

VALHA-NOS (São) FRANCISCO DE ASSIS


Os detractores de Sócrates e do governo anterior, a totalidade dos partidos que não o PS, e mesmo dentro deste, não comentam agora a necessidade de mais PECs, conforme Passos Coelho anunciou, secundado por Miguel Relvas, após o Conselho Europeu. Afinal estes anúncios e estas medidas são mais ditadas pela vontade da União Europeia do que pela dos chefes do governo, como sempre o souberam os partidos políticos, à esquerda e à direita do PS.
 No PS a luta pela liderança parece estar já decidida. Infelizmente mal decidida, pois António José Seguro vai dando sinais de que não aprendeu nada com os erros da anterior oposição ao seu partido. Pelos vistos para ele fazer oposição é dizer que não, seja lá ao que for: não aceita fazer uma revisão constitucional? Porquê? Não é precisa? Critica os planos de austeridade do governo? E então? Quais são as suas alternativas?
Valha-nos (São) Francisco (de) Assis. daqui

O PADRINHO

 

                                                                                                     
Depois de ter capitaneado o processo de derrube do Governo do PS, a começar no seu discurso de tomada de posse, Cavaco Silva dá mostras de também querer apadrinhar a partir de Belém o programa da coligação PSD-CDS/PP.
O seu discurso sobre a necessidade de revisão do conceito de "serviço público" em pleno congresso das misericórdias só pode ter o sentido de incentivar a privatização de responsabilidades públicas na área da saúde e da protecção social, desde logo (para começar) em benefício do chamado "sector social", mediante financiamento do Estado, que é um dos cavalos de batalha da agenda da direita naquelas áreas (e não só...).
Decididamente, o conceito de "uma maoria, um governo e um presidente" -- velha ambição do PSD finalmente alcançada -- começa a dar frutos. Resta, porém, saber se tal articulação explícita com o programa e a acção política da maioria governante não põe em risco a função moderadora e arbitral do Presidente da República, que requer uma fundamental autonomia presidencial face ao governo de cada momento.
Em vez de maestro à distância da performance governativa, o Presidente deveria assumir a sua função de supervisor e de "polícia sinaleiro" do funcionamento do sistema político. Quem é eleito para definir orientações de governo, formular programas de governo e conduzir a acção governativa é... o Governo. E também é o Governo, não o Presidente, quem responde pelo seu desempenho nas próximas eleições parlamentares
.

JUNTEMO-NOS A TRANI!!... CONTRA OS INFIEIS DO MOMENTO

TRANI - ITÁLIA

Olhem lá!!!   Bruxelas não era para unir?!...


Uma cidadezinha no calcanhar da bota italiana, onde o Adriático começa a transformar-se em mar Jónico, Trani. Esquecida, usada só em paragem breve para quem desce de Bari, mas querendo agora reerguer-se como a torre formidável da catedral de San Nicola Pellegrino. Aqui foi o porto de embarque preferido dos Templários, os religiosos guerreiros que foram nos tempos medievais os cavaleiros da Europa. É com essa tradição que Trani quer reatar: defender a Europa. Com as armas modernas da lei e contra os infiéis do momento: a agência de rating americana Moody's. No ano passado três analistas desta pandilha fizeram relatórios sobre a dívida italiana e a estabilidade do sistema bancário italiano que causaram um terramoto na Bolsa. O assunto era de toda Itália (aliás, não, era europeu), mas a pequena Trani armou-se em cavaleira por todos. O seu Ministério Público investigou os três analistas (é assim que se agarram os desembestadas, um a um), pediu pareceres a economistas prestigiados (um deles foi Mario Draghi, que acaba de tornar-se o presidente do Banco Central Europeu) e concluiu que os propagadores do bacilo E. coli nas finanças europeias "não se basearam em dados reais". O próximo passo, caso a Moody's continue "sistematicamente incorrecta", é propor a sua expulsão de Itália. Será conseguido? Só se a Europa ouvir. Que Tomar, que foi sede dos Templários portugueses, se junte a Trani. E mais e mais. DN-Ferreira Fernandes.

GORBACHOV

Gorbachov "quis fazer uma coisa mas saiu-lhe outra"
José Pacheco Pereira classificou hoje Mikhail Gorbachov como "um caso muito interessante de um político que quis fazer uma coisa e saiu-lhe outra", mas sublinhou o seu "papel enorme" na história do século XX.
"Queria reformar o Partido Comunista e acabou com ele. Queria reformar a União Soviética e acabou com ela. Queria garantir que o comunismo sobrevivesse com outras regras e outros processos e acabou com ele", disse Pacheco Pereira.
O historiador falava em Arcos de Valdevez, no decorrer da segunda edição do Concelho de Estado, dedicada ao antigo presidente da União Soviética. Para Pacheco Pereira, o exemplo de Gorbachov "remete muito para uma questão que é muito importante em política: na maioria dos casos, o resultado das nossas acções não corresponde às nossas intenções".
"Isso não retira a Gorbachov o papel enorme que teve no século XX, mas é um bom exemplo da regra que na maioria dos casos as acções dos políticos saem exactamente ao contrário", acrescentou. D.N.

MÁRIO SOARES E O PS

Mário Soares diz que PS "tem de ser refundado" e "ter política a sério"


 - Mário Soares defendeu hoje, em Arcos de Valdevez, que o Partido Socialista "tem de ser refundado" e "ter política a...


 
Mário Soares diz que PS "tem de ser refundado" e "ter política a sério"
  Mário Soares defendeu hoje, em Arcos de Valdevez, que o Partido Socialista "tem de ser refundado" e "ter política a sério".
"O PS tem de ser refundado de alguma maneira, tem de ser melhorado, tem de discutir política a sério e tem de ter política a sério e grandes ideias para o futuro", afirmou Mário Soares.
Em relação às eleições para a liderança do PS, Soares reafirmou que não toma partido por nenhum dos candidatos.
"Sou amigo de ambos, são ambos muito inteligentes, muito bem preparados, qualquer um dá um bom secretário-geral do partido", afirmou.
Soares falava à margem da iniciativa Concelho de Estado, que nesta segunda edição homenageou Mikhail Gorbachov.
O antigo líder não esteve presente, por questões de saúde, mas enviou uma mensagem gravada, em que alerta para o "impressionante estado das finanças" na Europa e para o perigo de serem os mercados a comandar os destinos dos países, em vez de serem os governos.
Uma mensagem partilhada por Mário Soares, que sublinhou que a situação na Europa "é caótica" e que urge mudar o paradigma.
"Se não muda o paradigma, vamos caminhar para uma situação muito difícil", avisou...

25 junho 2011

CURIOSO HORÓSCOPO O MEU

19 Fev/20 Mar        

Terá mais pudor nos afectos do que no sexo. Dirá que não tem preconceitos nem tabus e que é livre. A realidade será outra. Um passado complicado tornar-se-á presente e terá medo de partilhar verdadeiramente alguma coisa profunda com alguém. Profissionalmente, será demasiado autoritário consigo próprio. Abrace o trabalho com mais ligeireza. Verá que as dores de cabeça desaparecerão e que dormirá melhor.


MARRAQUEXE

Vê agora »
                                                                              MARRAQUEXE

"HARAKIRI" DO CAMADO BLOCO DE ESQUERDA


«Em 2008, num debate com Louçã promovido pela editora Tinta da China, confrontei-o com o facto de o Governo PS ter, até então, posto em prática uma parte considerável do programa do Bloco. Ele não negou, limitou-se a dizer qualquer coisa como: "Ainda bem, significa que conseguimos fazer valer o nosso ponto de vista." Sucede que as medidas em causa não se limitavam às áreas que fizeram desde o início a imagem do BE, relacionadas com questões de género, de sexualidade e de regulação legal das relações (e que estapafurdiamente os media insistem em denominar de "fracturantes", sem se darem conta de como estão, nessa denominação, a abandonar a propalada objectividade e a tomar posição). Incluíam a aposta nas energias "limpas" como alternativa aos combustíveis fósseis; o aumento do salário mínimo; a alteração das regras de legalização dos imigrantes; a restrição da prisão preventiva; a generalização do acesso à banda larga e às tecnologias da informação; o reforço das pensões (com convergência com o salário mínimo) e do apoio social aos idosos; a limitação da concentração na comunicação social; o reforço do ensino profissional e "a certificação de competências numa lógica de aprendizagem ao longo da vida".
Pouco havia, de resto, no programa eleitoral do BE de 2005 que fosse incompatível com o do PS; à excepção de propostas como a da "nacionalização da energia", da contestação aos limites de défice orçamental fixados pela UE e da exigência de retirada da GNR do Iraque, quem lesse um e outro podia sem dificuldade imaginar um governo de coligação entre os dois. Foi aliás uma hipótese muito explorada no período pré-eleitoral. Mas o PS não só teve maioria absoluta como, ao pôr em prática uma parte substancial do programa "moderado" do BE e assumindo como suas bandeiras que fizeram a imagem do partido de Louçã, da legalização do aborto até às dez semanas por decisão da mulher à lei da paridade, passando pela procriação assistida e pela alteração do regime jurídico do divórcio, pôs o Bloco perante o dilema de apoiar o Governo e correr o risco de ser "engolido" ou de se radicalizar. Escolheu a segunda via, investindo na ideia de que o PS deixara de ser um partido de esquerda e tentando crescer à custa do seu eleitorado. Nesse caminho ficou Sá Fernandes, o independente que se candidatara pelo BE à Câmara de Lisboa e que o partido depositou nos braços do PS, e a tragicomédia da candidatura de Alegre. Para terminar na moção de censura ao lado da direita e na recusa de negociação com o FMI. O episódio Rui Tavares - que sempre defendeu as pontes com o PS - é o último do longo harakiri que o Bloco se infligiu desde 2005. Na cegueira megalómana de se afirmar "a única alternativa de esquerda", provou não ser alternativa nenhuma. E ou muda, e rápido, ou morre. A fileira dos irredutíveis lunáticos já está muito bem representada pelo PCP, obrigada. » [
DN
Por Fernanda Câncio.