18 abril 2009

ABAIXO OS PALRADORES - FALE QUEM TEM SOLUÇÕES


É já por demais evidente que o senhor Aníbal Silva, por acaso Presidente da República, está nítida e objectivamente a intervir partidáriamente na refrega eleitoral que já começou e, como seria de esperar, arrebitou as orelhas de todas as luminárias que começam a perfilar-se na via que os pode levar ao banquete do orçamento que tantos efeitos provoca nas suas papilas gustativas. Todos concordam com o generoso chefe e ninguém esperaria outra coisa.
Esqueçamos as votações feitas a seguir a 74 para não falarmos do sr Aníbal e sigamos em frente.
Quem concorda deixa-se ficar sentado. Quem não concorda faça o favor de se levantar.
O que nós e todos os portugueses gostariamos era que fossem apontados claramente os caminho a seguir. Vamos ser intelectualmente honestos, independentemente das ideologias de cada um:
-É ou não verdade que o Plano Técnologico que estava a ser aplicado e anunciado por Portugal foi, no essencial o mesmo que foi adoptado em quase todo o Mundo para combater a crise?
-É ou não verdade, como ainda hoje uma televisão no noticiário da manhã referiu, que Portugal tem, proporcionalmente, o maior plano para combater a crise?
-É ou não verdade que os EUA estão a ponderar, além de fazerem grandes obras, o lançamento do TGV?
-É ou não verdade que por todo o Mundo os Governos estão todos a fazer mais ou menos o mesmo?
-É ou não verdade que esta crise atingiu todos os Países incluindo os que ainda há bem pouco tempo eram dados como exemplo de progresso e bem estar?
-É ou não verdade que Países como a Alemanha,Inglaterra,Espanha, EUA etc. se encontram em situações relativas, piores do que nós?
Este Governo, ou outro qualquer, não teria feito de outra forma, porque talvez não haja melhor alternativa para o fazer. Mas quem tiver melhores soluções apresente-as que os portuguêses e todo o mundo agradecerá!... Não ladrem...
Mas, sobretudo, seriamos todos muitíssimo avisados se não dessemos o voto a quem se limita a intervir na vida política apenas com uma estafadíssima linguagem de protesto e sem soluções, nem projecto ou meios de os levar à prática. E que pipa de massa custa ao orçamento do Estado alimentar a pão-de-ló esses palradores vociferantes...


OS OUTROS GEMEM MAS O ZÉ É QUE SE LIXA


NINGUÉM NOS DÁ BOAS NOVAS...

A apologética bem-pensante imagina que as coisas vão passar-se mais ou menos assim: dentro de meses - vá lá, um ano - a crise estará ultrapassada e as gentes render-se-ão de novo às delícias dos mercados livres, das sociedades anónimas, do crédito fácil e da especulação bolsista.Enganam-se.
Não fundamentalmente porque a recuperação poderá tardar, mas, principalmente, porque o descontentamento que podemos observar não resulta apenas da crise económica e das suas desastrosas consequências sobre as nossas vidas.
A crise funcionou apenas como um catalizador, potenciando o mal-estar acumulado que já vinha de trás. Há muito tempo muita gente sentia que o nosso modo de vida não faz grande sentido.
Agora, que a desconfiança se tornou em certeza, cresce a convicção de que chegou a hora das grandes mudanças.

Comentário:Concordo, João. E essas grandes mudanças vão implicar muito sofrimento antes de se chegar a uma nova estabilidade.
E o que pensa o Zé: - Estou f...



TÃO DIFERENTES - TÃO IGUAIS...


CUBA - O MITO CASTRISTA

PRIMAVERA DE PRAGA

NO REINO DA COREIA DO NORTE


O ESPLENDOR DAS DITADURAS



LEITURAS


QUADROS DA PENA DE EÇA- Os Maias, vol.1
Eram duas horas quando os dois amigos saíram enfim do hotel, a fazer esse passeio a Seteais – que desde Lisboa tentava tanto o maestro. Na praça, por defronte das lojas vazias e silenciosas, cães vadios dormiam ao sol: através das grades da cadeia, os presos pediam esmola. Crianças, enxovalhadas e em farrapos, garotavam pelos cantos; e as melhores casas tinham ainda as janelas fechadas, continuando o seu sono de Inverno, entre as árvores já verdes. De vez em quando aparecia um bocado da serra, com a sua muralha de ameias correndo sobre as penedias, ou via-se o Castelo da Pena, solitário, lá no alto. E por toda a parte o luminoso ar de Abril punha a doçura do seu veludo.

15 abril 2009

CRISE, JUSTIÇA E DEMOCRACIA


MÁRIO SOARES CONTINUA A SER UMA DAS CABEÇAS MAIS FRESCAS E ESCLARECIDAS DO NOSSO PANORAMA POLÍTICO E CULTURAL, tORNANDO-SE OBRIGATÓRIO OUVIR ATENTAMENTE O SEU DISCURSO E PONDERAR BEM SOBRE A SUA MENSAGEM. NÓS E, SOBRETUDO, QUEM TEM RESPONSABILIDADES NOS DESTINOS DESTE PAÍS - TODOS,SEM EXCEPÇÃO.

1.A crise global, de que os meios de comunicação social todos os dias nos falam, está longe de ter chegado ao fim. Ainda não batemos no fundo. Pelo menos na Europa, onde as instituições da União ainda não foram capazes de delinear uma estratégia conjugada ou convergente de ataque à crise com a necessária coerência interna. Portugal, infelizmente, não é excepção. Nem podia ser. A crise veio de fora, não foi gerada cá dentro. Alguns partidos da oposição parece não o terem ainda compreendido.As medidas, até agora, tomadas para a combater, em Portugal e não só, têm sido casuísticas, dispersas, atendendo talvez às necessidades mais urgentes, não digo o contrário, mas sem obedecerem a um plano de conjunto, que, pelo menos, tenha sido divulgado, explicado e compreendido pelos cidadãos. E isso, do meu ponto de vista, deveria ter sido uma prioridade essencial para trazer a tão necessária confiança às pessoas, no seu conjunto. Ora estamos longe de a ter, infelizmente.
O desemprego continua a crescer, sem que haja esperança de abrandamento. Todos os dias sabemos que fecham fábricas e pequenas e médias empresas, comerciais e industriais. A agricultura, que poderia ser um recurso, não parece ter arrancado. Por outro lado, não há informação suficiente que nos dê uma perspectiva de conjunto do que o Governo está a fazer para valer aos mais necessitados, que perderam os seus empregos e, às vezes, também, as suas casas. Sabemos que certos bancos receberam milhões para evitar falências, que sem esse auxílio seriam inevitáveis e indesejáveis. Mas não conhecemos suficientemente como foi - ou vai ser - gasto esse dinheiro. E se os prémios e as remunerações dos gestores continuam a ser milionários.
No sábado passado tivemos a notícia, divulgada pelas televisões, vinda do Banco de Portugal, de que, já em tempo de crise - o que é inacreditável -, portugueses individuais e empresas depositaram muitos milhões, não percebi quantos, nos mesmos "paraísos fiscais" do passado. Era útil que sobre o assunto possa ser dada à opinião pública, por quem de direito, uma informação completa e uma lista em detalhe com os nomes desses oportunistas que não aprenderam nada com a crise e só pensam no dinheiro...
Porque se a crise gera necessariamente desemprego, o desemprego gera mal-estar social e, a prazo, revoltas. É o que está a acontecer já em alguns países europeus. E - cuidado! - não é impossível que aconteça também entre nós. Ora só há uma maneira inteligente de controlar essas eventuais revoltas: prevê-las, em tempo útil, para as tentar evitar. Não por meios repressivos, que só seriam contraproducentes. Mas dialogando com os partidos da oposição - com sentido de responsabilidade - e com os sindicatos, que estão no terreno, e com as associações de todo o tipo, que se proponham enquadrar o descontentamento crescente. Porque senão as revoltas legítimas dos que se sentem desesperados podem gerar o caos e o caos leva à violência cega. Trata-se de um círculo vicioso que importa prever e não deixar que se desenvolva: crise, desemprego, mal-estar social, violência, caos, aumento da crise, democracia posta em causa...
O diálogo responsável entre o Governo e as forças políticas e sindicais - não o debate público, mormente em tempo de eleições - é indispensável. É ao Governo que compete a iniciativa. Não se trata, repito, de obter dividendos de tipo eleitoral. As eleições são outra questão, importante, sem dúvida, mas não são elas que vão vencer a crise. Trata-se de uma prioridade: evitar que a crise degenere em revolta e violência cega, descredibilizando, ao mesmo tempo, os partidos - todos, sem excepção - e os sindicatos, das diferentes confederações e, por essa via, pondo em causa a própria democracia.Escrevo isto, pensadamente. Não sou pessimista. Considero-me realista e procuro ver com alguma distância. Alerto, os meus compatriotas, para que pensem pelas suas cabeças, se mobilizem e, assim, possamos evitar o pior. A confiança em nós mesmos - e no nosso sistema democrático, que vai festejar 35 anos - é o que nos cumpre, acima de tudo, salvaguardar.
Ninguém sabe ainda se o dinheiro distribuído - ou prometido - pelo Estado aos bancos e a algumas grandes empresas - portuguesas e estrangeiras - virá ou não a ter consequências positivas. Como sucede, de resto, nos outros países europeus. Se não forem acompanhadas por medidas concretas de auxílio, que cheguem aos mais necessitados, é certo que a confiança não se fará sentir. Bem pelo contrário. E quais são esses necessitados? Os desempregados de pequena e longa duração, os jovens que saem das universidades e escolas à procura do primeiro emprego e encontram as portas fechadas, os pequenos comerciantes, industriais e agricultores, a caminho da falência, os imigrantes que ficaram sem trabalho e os excluídos sociais, os mais idosos, cujas reformas não chegam para viver com dignidade e fazem parte da legião imensa da pobreza envergonhada.
Todos os dias nos dizem que as taxas do desemprego e da pobreza sobem. Mas, dizem-nos, de uma forma abstracta, recorrendo a números totais, à escala do País. É preciso que se façam inquéritos credíveis sobre o que se passa nos bairros proble- máticos das grandes cidades, mas também nas aldeias rurais mais afastadas. O que interessa são as pessoas. Só com esse conhecimento concreto podemos avaliar das desigualdades efectivas que se vivem no País e o que deveremos fazer para lhes melhorar as situações.
2.A Justiça vai mal. Posso mesmo dizer, sem exagero, muito mal. É talvez, a seguir ao aumento do desemprego (provocado pela crise), das desigualdades sociais (que aumentaram sensivelmente, nos últimos anos) e da pobreza, abaixo dos limites mínimos exigíveis de uma parte considerável da população, o sector da Justiça é dos que está pior e mais desacreditado. Não porque não haja bons magistrados judiciais e do Ministério Público e bons polícias, na Judiciária. Há. E alguns até excelentes. Está fora de causa. Mas porque, nos últimos anos - por razões de corrupção ou outras -, a interpenetração entre alguns juízes, agentes do Ministério Público e polícias, com responsabilidades na Judiciária e certos meios da comunicação social (jornalistas "especializados", no mau sentido, em fugas de informação) têm vindo a desacreditar a Justiça, com a questão do segredo de justiça, particularmente tratando-se de processos que, por uma razão ou por outra, assumem maior expressão mediática ou envolvem personalidades políticas, empresariais ou futebolísticas. Os processos eternizam-se, as fugas de informação vindas dos inquiridores (Ministério Público ou Polícia Judiciária, donde poderia vir, além deles?) são mais do que muitas, fazendo-se "julgamentos na praça pública", de que ninguém está livre, baseados em boatos, rumores ou falsas informações. Sem que ninguém pareça ter força para pôr termo a uma situação deletéria, que envenena o País e destrói as instituições que nos regem.
É preciso dizer, basta! No Expresso último, o jornalista Miguel Sousa Tavares, num artigo notável e corajoso, como é seu timbre, intitulado "Como fritar um primeiro-ministro em lume brando" escreve, em síntese: "Desgraçadamente, chegámos a um ponto em que qualquer pessoa, por mais inocente que esteja, e em especial se for figura pública, pode ser executada em lume brando na praça pública." E ainda: "É grave que isto possa suceder com qualquer cidadão; é gravíssimo que isto possa suceder com o próprio primeiro-ministro, não por ser José Sócrates, no caso, mas pela saúde pública do regime democrático.
"É também por isso que escrevi acima: basta! É uma situação que desacredita profundamente a Magistratura do Ministério Público e a Polícia Judiciária, bem como os órgãos da comunicação social que se façam eco de boatos e "fugas de informação" sem consistência ou de "campanhas" que tenham por objectivo destruir adversários políticos. Basta! Repito. São erros que se pagam caro. Se não há provas, digam-no. Se há, apresentem-nas no tribunal respectivo, em tempo oportuno. Mas não arrastem os processos meses e meses, envenenando as populações com as piores suspeitas. É um descrédito para a Justiça e para o País, com reflexos negativos na própria crise que atravessamos. Trate-se do caso Freeport ou dos McCann, do Apito Dourado, da Casa Pia ou dos diversos autarcas com processos pendentes há anos. Uma vergonha nacional! Ora, como disse há dias: "Já enjoa"...(Mário Soares)

FLORBELA ESPANCA



OS TEUS OLHOS

Olhos do meu Amor!Infantes loiros
Que trazem os meus presos, endoidados!
Neles deixei, um dia, os meus tesoiros:
Meus anéis, minhas rendas, meus brocados.

Neles ficaram meus palácios moiros,
Meus carros de combate, destroçados,
Os meus diamantes, todos os meus oiros
Que trouxe d'Além-Mundos ignorados!

Olhos do meu Amor! Fontes... cisternas...
Enigmáticas campas medievais..
Jardins de Espanha... catedrais eternas...

Berço vindo do Céu à minha porta..
Ó meu leito de núpcias irreais
Meu sumptuoso túmulo de morta!..
Florbela Espanca

14 abril 2009

ATLÂNTIDA PERDIDA... e ACHADA?

Um programa de computador do Google Ocean pode ter encontrado vestígios da cidade perdida da Atlântida, segundo uma reportagem publicada no jornal britânico "The Sun".A Atlântida teria submergido há cerca de 12 mil anos, em consequência de terremotos. As imagens da susposta cidade foram obtidas numa área próxima das Ilhas Canárias, a mil quilómetros da costa africana. As fotos mostram um retângulo cortado por linhas que lembram um mapa, conforme a imagem exibida mostra. O Google Ocean é uma ferramenta do Google, que foi lançado no início do mês.
Especulação?! Possívelmente... Aliás, não seja mesmo uma tentativa de nos roubarem a Atlantida do nosso imaginário, situada, há séculos, ... algures no esplendor dos Açores... A ter existido só poderia ter sido aqui!...

SANTANA LOPES

VAMOS TER REGABOFE


FUJAM!!!!
O SANTANA LOPES VEM AÍ
OUTRA VEZ
COM GRANDE SÉQUITO
TENTAR
CAVALGAR O ORÇAMENTO
A TODA A SELA
hhhhhhhhhhh

12 abril 2009

QUAL É O PROBLEMA?



Portugal tem excesso de dramas. Agora são as funcionárias da Loja do Cidadão de Faro que, entre outras maldades, foram proibidas de usar mini-saia. Não conhecemos esse código de vestuário em particular, mas as regras do que se pode ou não vestir são comuns em todas as empresas, para mais com atendimento ao público. Qual é, afinal, o problema?
Mas prosseguindo o drama, agora é também a vez de Manuel Alegre que, com frequência, regressa com estrépito ao mundo do exílio em Argel, para denunciar o «cariz fascizante» (pois, aquela costela P.C. ...) do código de vestuário na Loja do Cidadão de Faro. Curiosamente, nunca o vimos criticar o código de vestuário para as funcionárias da Assembleia da República. Se calhar não passa ali muito tempo para poder apreciar... Será por isso que não reclama?... Acima apresentamos os modelos de fardas que o poeta apreciaria (e nós)
Mas já agora leiam este post do CAUSA NOSSA, outra cabeça pensadora do PS . Só que esta pensa escorreito. Sem taras... nem outras intenções...

Vida das Coisas: Lost in translation?

Além de ser um absurdo evocar razões patrióticas para justificar o apoio à candidatura de Durão Barroso – um tipo que, sejamos justos, é um bom exemplo de patriotismo, como teve oportunidade de demonstrar em várias ocasiões, entre muitas, pirar-se daqui patrioticamente –, é uma situação que faz arrepiar qualquer militante do Partido Socialista com três dedos de testa, alguma informação e alguma formação política. Até mesmo a alguns da “nova vaga (pseudo) moderna” ter-lhes-á corrido um arrepio pelo costado. Aliás, esta declaração de apoio (que, na verdade, já não espanta e tem a ver com uma certa atitude política - modernaça) vem na sequência da cúmplice e genuína interjeição do “Porreiro, pá!”, por certo a demonstração que se desenrolam dois filmes em simultâneo: um para os otários no bolso e outro para gente extraordinariamente esclarecida, com muito, mas mesmo muito pensamento estratégico e respectivos segredos partilhados com os deuses – como diria o Exmo. Sr. Dr. Jorge Coelho “É perfeitamente natural, qual é o problema?”.Especulando, estou em crer que o Exmo. Sr. Eng. José Sócrates já está a trabalhar para a cadeira da Presidência da República, depois de Cavaco Silva. Se não for isso, só pode ter a ver com a suposta constituição de exército europeu, ou com o cerco à Coreia do Norte, ou com o Irão. Jerusalém e Palestina entrarão neste filme? Ou será a Internacional Socialista? Quem sabe, talvez por causa da prevalência do petróleo em relação às energias renováveis. Ou ainda, vá lá a gente adivinhar, resquícios do “Acordo das Lajes” e amigos comuns na Inteligência dos Estados Unidos. Bom… não consigo alcançar. Vitalino é Macau… Mais uma chinesice?Então as “armas de destruição maciça” tão apregoadas pelo Exmo. Sr. Dr. Durão?Nã… não encaixa.Professor Vital dê mais dicas. Haverá mãozinha do Exmo. Sr. Dr. Vitorino ou andará mais uma vez, por aí, um vento de Zédu.Vida das Coisas: Lost in translation?

PACHECADAS DE MAU GOSTO

FIXAÇÕES DE PACHECO PEREIRA
DE ANÁLISES DE "SITUACIONISMO" DO ABRUPTO
iiiCÓPIA INTEGRALiii

A foto original no Diário de Notícias e a sua interessante legenda


Títulos possíveis com base em quem olha para quem.
Merkel olha para Sócrates e Sarkozy.Marido (?) de Merkel olha para nós.

Sócrates olha para Merkel.Sarkozy olha para Merkel.

Carla Bruni não tem para quem olhar. Títulos possíveis com base em quem conversa com quem.
Merkel conversa com Sócrates . Sócrates ameaça responder.
Merkel conversa com Sócrates e Sarkozy.
Sócrates e Sarkozy ouvem Merkel.
O marido (?) de Merkel não fala com ninguém e faz um sorriso Pepsodente.
Não está a ouvir nada.
Sarkozy sorri com todos os dentes. Não está à escuta de nada.
Carla Bruni parece uma estátua de gelo e pede que a tirem dali.
O DESGRAÇADO DO PACHECO JÁ NÃO SABE O QUE
MAIS PODE INVENTAR PARA BAJULAR
MANUELA FERREIRA LEITE
E QUANTO MAIS O HOMEM PORFIA
MAIS MANUELA SE AFUNDA NAS SONDAGENS
UM CASO PERDIDO
DE UM HOMEM DA EXTREMA-ESQUERDA
QUE QUIZ SER DA DIREITA
COM OS ESQUEMAS MENTAIS DE ONDE VEIO
ESTES FULANOS FICAM AVARIADOS
DA MONA
E NUNCA MAIS TÊM CONSERTO


11 abril 2009

SÓCRATES "É LADRÃO" INCOMPETENTE





Então JOSÉ SÓCRATES anda uma vida inteira a cometer ilegalidades, sugere a be....la Moura Guedes da TVI que, por sua vez, lhe terão sgredado que o homem andou a vida inteira a surripiar pilim por tudo o que é sítio e vai daí, mal se apanha no cargo de Primeiro Ministro a medida emblemática que de imediato toma é retirar as férias grandes aos magistrados para mostrar aos zés que com ele acabou-se o bem bom e não há mais funfuns nem gaitinhas!?!. Eu, se estivesse no lugar dele e arrastasse tal curriculum, a minha provecta idade e experiência aconselhar-me-ia a apaparicar esse sector, não só ampliar-lhe as férias grandes mas a alargar-lhes as mordomias... Para além de outras coisas instituia o serviço de chá permanente com pão-de-ló de Margaride a todos que usassem beca. Não!... Chega lá o parvo, arma-se em ferrabraz e a primeira coisa que faz é pôr toda a meritíssima corporação em polvorosa!...
Desculpem lá mas na minha porventura senil opinião, sendo tudo aquilo que a senhora da boca grande sugere e que alguém lhe terá contado (a sra é jornalista e não adivinha) Sócrates não é aquela pessoa inteligente e ponderada que a propaganda oficial quer fazer passar. É mesmo burro, não tem outro nome. Como foi possível eleger um Primeiro Ministro que nem sequer sabe como se contornam os obstáculos... Ou, quem sabe, tal como muitos pensam, o homem está mesmo inocente e acredita na probidade da nossa justiça

COMO FRITAR UM PRIMEIRO MINISTRO

Eis o meu ponto de partida: eu não acredito que o cidadão José Sócrates Pinto de Sousa tenha, enquanto ministro do Ambiente, aceite quatro milhões (de euros ou de contos, a suspeita nunca ficou clara) para autorizar, contra a lei, o Freeport de Alcochete. Não acredito: é um direito que me assiste e que decorre não apenas da existência de trinta anos a observar políticos por dever profissional, como também pelo conhecimento pessoal que dele tenho.
Segundo ponto: além da crença pessoal, eu desejo veementemente e como português que quem quer que seja primeiro-ministro do meu país esteja acima, largamente acima, de tão rasteiras suspeitas. Isso, porém, não impede que existindo suspeitas, dúvidas, interrogações por esclarecer, com ou sem razão, elas sejam investigadas a sério e a fundo. Acho que nenhuma outra coisa podemos desejar e exigir.

Terceiro e decisivo ponto: acho absolutamente intolerável que a investigação e esclarecimento de um assunto desta gravidade, envolvendo suspeitas deste tipo sobre o PM, acabe – uma vez mais! – por flutuar, sem prazo nem dignidade alguma, nesse limbo de maledicência e de justicialismo popular onde invariavelmente vegetam ultimamente todas as investigações deste tipo, entre a incompetência do Ministério Público e a leviandade de uma imprensa que vive para o escândalo e que se está borrifando para o que seja o Estado de Direito. Por outras e mais cruas palavras: é intolerável que, uma vez mais, o palco principal da investigação seja ocupado, não pelos seus progressos e conclusões, mas pelas notícias sobre incidentes laterais, estados de alma do investigadores e insinuações sobre pressões externas – tudo, como sempre, alimentado por sistemáticas fugas de informação que, para vergonha nossa, toda a gente sabe de onde vêm e mesmo assim se repetem constantemente.
Não consigo entender como é que, nas últimas semanas, o centro das atenções relativamente ao Freeport se deslocou dos resultados da própria investigação para as queixas de “pressões” dos magistrados dela encarregados. Primeiro, porque já vi este filme várias vezes e sei que, quando começam queixinhas destas, elas são invariavelmente o sinal de que a investigação marca passo e já se procuram desculpas. Depois porque não entendo que um magistrado de investigação ande a queixar-se publicamente de pressões em lugar de lhes resistir silenciosamente e continuar o seu trabalho.
Terceiro, porque há qualquer coisa de pouco transparente em queixarem-se de pressões atribuídas a um outro magistrado amigo e colega de trabalho neste mesmo caso. Vai agora um outro magistrado encarregar-se da extraordinária investigação de saber se o facto de Lopes da Mata ter dito aos colegas que o primeiro-ministro queria celeridade no processo é ou não uma pressão política ilegítima. E assim se vai entretendo o tempo, como se (e a ver verdade que Sócrates terá enviado aquele recado por interposto procurador) não fosse apenas o PM, mas todos nós, a democracia portuguesa, a exigir celeridade e poucos floreados para distrair as atenções!
Escreveu Pacheco Pereira há dias que “colocar o caso Freeport debaixo do tapete, enchê-lo de medos, de sussurros, de silêncios, de incomodidades, deixará Portugal, envenenado por muitos bons anos”. Ora, salvo melhor opinião, o que tem sucedido é exactamente o contrário: o caso Freeport ocupa a cena há três meses, em vez de silêncios e sussurros, é objecto de uma gritaria sem fim e, em vez de medos, tem propiciado abundantemente o que melhor caracteriza a nossa investigação criminal nos chamados casos mediáticos: permitir ou promover a execução pública dos suspeitos, antes que eles tenham tido uma hipótese de se defender e muito antes de a acusação concluir se tem ou não matéria para levar o caso a tribunal. É grave que isto possa suceder com qualquer cidadão; é gravíssimo que possa suceder com o próprio primeiro-ministro: não por José Sócrates, no caso, mas pela saúde pública do regime democrático. Desgraçadamente, chegámos a um ponto em que qualquer pessoa, por mais inocente que esteja, e em especial se for figura pública, pode ser executada em lume brando na praça pública, num fogo assassino alimentado pela negligência da investigação e pelas sistemáticas violações do segredo de justiça, que permitem a uma imprensa sedenta de sangue e de “sucessos” atear nas labaredas de execução popular. Mesmo quando, como foi o caso, tudo nasce de uma denúncia anónima – para mais, sugerida pela própria PJ e com contornos mais do que suspeitos de manobra política eleitoral, nunca devidamente esclarecida.
Eu não quero saber se os senhores magistrados se sentem ou não pressionados porque o PM supostamente lhes terá mandado dizer que andassem rapidamente com o processo, conforme é obrigação deles. Eu quero é que eles não finjam não perceber a gravidade do que têm em mãos, as implicações políticas imediatas e a prazo do arrastar do caso e a arrasadora suspeita que pende sobre a cabeça de um cidadão que, por acaso, também é primeiro-ministro.
Tanto quanto sei, seguindo as coisas de fora, todas as suspeitas contra José Sócrates assentam na existência de um vídeo onde um tal Charles Smith, para tentar justificar perante os patrões do Freeport uma quantidade de dinheiro que desapareceu em Portugal, o explica dizendo que teve de corromper o então ministro do Ambiente. Ora, o sr. Smith está para aí, à disposição dos investigadores, que aliás já o interrogaram algumas vezes.
Permitam-me os senhores magistrados que diga que não vejo aqui nenhum bico de obra: ou conseguem que o sr. Smith prove como e quando pagou a Sócrates e qual o destino do dinheiro, ou não o conseguem e, então, só lhes resta uma coisa a fazer: arquivar o processo contra Sócrates e prossegui-lo contra o sr. Smith e demais envolvidos, por crime de falsas declarações e muito provável roubo, em benefício próprio, dos tais quatro milhões.
Não alcanço porque são precisos cinco anos de adormecidas investigações e mais três meses de histeria investigatória para concluir uma destas duas coisas.MIGUEL SOUSA TAVARES

09 abril 2009

APOIO A DURÃO BARROSO É SUICIDA

Já é dado por adquirido que uma parte substancial da população portuguesa detesta Sócrates e uma outra, porventura nada inferior, não pode ver Barroso nem pintado... Desta feita, quando Sócrates vem anunciar o apoio a Durão Barroso põe o PS a pedir que se vote simultaneamente nas europeias em duas personalidades que, em conjunto, parece fazerem o pleno do ódio popular.
Pior que pouco inteligente, a estratégia é suicida. Mais grave ainda, afirmar-se que Barroso é o candidato de Portugal à Presidência da Comissão Europeia mesmo que o Partido Socialista Europeu venha a sair vitorioso das eleições de Junho próximo... E, para tornar tudo numa grande trapalhada, o cabeça de lista do PS, Vital Moreira já declarou que, onde de facto a coisa se decide, no Parlamento Europeu, não votará em Durão Barroso.
Conclusão:- O poirreirismo pá! meteu Sócrates numa autêntica quadratura do círculo da qual não irá sair incólume. Ninguém entenderá esta nebulosa estratégia a não ser que seja muito bem explicada e... devagarinho!

ENTRETANTO...
José Manuel Barroso, já em campanha para a disputa que não existe, publicou na NET um Site interactivo onde se pode participar em inglês, francês, alemão, espanhol e polaco, tendo esquecido qual é a sua língua materna, o que não surpreende numa pessoa que trocou, a meio do mandato, a direcção do seu País por um lugar ao Sol em Bruxelas.Entre dois cafés servidos nas Lajes a Bush, Blair e Aznar, requentados na fogueira que acenderam na Mesopotâmia e açucarados pela ponta da corda que quebrou o pescoço ao ódio de estimação da família Bush, José Manuel, um tipo porreiro, pá!, conseguiu ascender a um lugar onde, se não levantar ondas, poderá continuar a brilhar no seu francês parisiense e no inglês técnico aprendido nas escolas de direito e de engenharia civil. LNT- A barbearia do senhor Luis

08 abril 2009

OS SINUOSOS CAMINHOS DE PORTUGAL


*Jorge Carvalheira Não teria sido nada mau para Portugal, se o senhor Presidente tivesse apontado os caminhos adequados, na década em que chefiou o governo.Era o tempo em que começou a enxurrada dos fundos e em que deviam tomar-se as decisões que haveriam de iniciar a modernização do país.Mas trocaram-se os prazos da agricultura por dinheiro, condenando-a à inexistência; sacrificaram-se as pescas no altar da ganância; pendurou-se na forca a pouca indústria
A incompetência dos governos cavaquistas fez de Portugal um país rico, com uma varinha de condão. Era o tempo do oásis e do país do sucesso, em que se sabotou a ferrovia em favor da camionagem privada e de tudo o que fosse betão e auto-estrada.
Inchou o clube dos gestores que levaram muitas empresas à ruína e se transformaram em barões que governaram a vidinha.
Os portugueses em geral encheram o peito com os ares do tempo, deixaram-se convencer pelo milagre, acreditaram na fábula do pelotão da frente e dispuseram-se a ser depenados pela usura dos senhores da finança.
Nada que mereça nota e que era fundamental se realizou na educação, nem na justiça, nem na economia, nem na cultura, nem na mentalidade indígena. Às pechas tradicionais juntaram-se vaidades, negociatas e novos oportunismos.
Quando o reinado cavaquista acabou, o país estava sufocado, como ainda se lembra quem não perdeu a memória. E o próprio presidente do conselho se deu conta de que estava rodeado dum partido de alimárias, de oportunistas e de figurões pouco sérios. Por isso os sujeitou a um tabu que durou um ano. No fim tirou-lhes o tapete e deixou o partido numa orfandade de que ainda não saiu, para nossa actual desgraça.
Resta dele um concílio de barões pouco recomendáveis e uma clique de esquerdistas reciclados que deixaram de mijar na cama quando aprenderam a ler as citações do Mao.
Guterres veio a seguir, inevitavelmente, porque o país estava cheio das competências do professor Cavaco. E sendo embora o governante mais bem formado, mais culto, mais humanista, mais sério e mais cosmopolita que Portugal já teve, Guterres só demonstrou que isso não chega para ser um bom governante e evitar erros crassos, como a barragem do Côa, as portagens da CREL e sobretudo o regabofe dos caciquismos locais, dos homens das rotundas e outros megalómanos que nunca faltaram na paisagem portuguesa.
As más opções anteriores e os interesses instalados já tinham a via aberta e Guterres não quis, ou não soube, ou não pôde fazer alterações à rota. Quando viu que o saco tinha fundo, fez o que faz qualquer tipo decente e renunciou ao poder.
O rústico democrata algarvio entretanto mudou de ares e deixou poisar a poeirada. E volta agora, do poleiro doirado e inócuo de Belém, a soltar lamentações de crocodilo e a lançar tiradas
sobre as gerações dos nossos filhos que o deixam muito preocupado. É um bom seringador, o nosso Presidente. O que não faz de nós todos, é claro, coisas muito melhores do que ele! Mas isso já é outra questão.

PREVISÕES DE MÁRIO SOARES


MANUELA FERREIRA LEITE ÀS EUROPEIAS???

E se, de repente, na falta de melhor hipótese, o cabeça-de-lista do PSD às Europeias fosse … a própria líder, Manuela Ferreira Leite?
Será uma hipótese assim tão estapafúrdia? Vejamos.Se lhe correr bem, ganha élan para as Legislativas. Se lhe correr mal, demite-se, descartando-se por fim das críticas e dos críticos permanentes, evitando ter que passar pelo penoso circuito da carne assada até Setembro (para o qual, manifestamente, não está fadada) livrando-se da responsabilidade pessoal por levar o PSD a eleições com tão baixas sondagens e safando-se de uma potencial derrota estrondosa contra José Sócrates. E ainda com um bónus adicional: poiso garantido em Bruxelas pelos próximos 5 anos e fora do centro do vespeiro que é o seu partido...
Só é difícil saber qual será o futuro de sua eminência (parda) Pacheco Pereira que deixará de ser conselheiro e passará a uma situação algo parecida com uma quadratura do círculo. É que não haverá alma mais execrada pelos potenciais candidatos à liderança do PSD do que o místico da Marmeleira. Só se fizer muitas genuflexões e, sejamos justos, não é homem para isso.

O INEFÁVEL ALBERTO GONÇALVES - ESSA FLÔR MAL-CHEIROSA

Dos Jornais] Causou impacto nos meios intelectuais do Correio da Manhã, novíssima Maria para taxistas e mulheres-a-dias, a antevisão do processo Casa Pia (Casa Pia, Últimos Episódios) pelo articulista Alberto Gonçalves. Consta que: um conhecido homem de leis se aliviou em plena rua, com um sorriso nos lábios; um grupo de políticos, reunidos em local oculto, fulminou o autor com impropérios vários e ditos grosseiros; um liberal Eborense lembrou à edilidade que seja dado o nome de Avenida do Alberto-a-Dias, a uma artéria da cidade, substituindo a Rua Berlin; um popular activista Bolsista confessa que realizou avultados investimentos em acções CM; em reunião de comentaristas & afins, foi debatido a excessiva verbosidade e a vulgaridade do texto, enquanto se ouvia um Audaces Fortuna Juvat proveniente da plateia popular, considerando-se que é caso para dizer, "não apalpes em casa de ferreiro, nem peças em botica bom mercado". Ó tempora, ó mores ... oh tempo das amoras.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E AS REGIÕES AUTÓNOMAS

PORQUE PERTURBAM ESTA IMENSA PAZ?
Portugal é um Estado unitário, que «respeita na sua organização e funcionamento o regime autonómico insular», nos termos do artigo 6º da Constituição.
Esta solução constitucional, pela qual já por diversas vezes manifestei o meu apreço, é, sem dúvida, a que melhor corresponde à natureza do Estado português, à configuração do nosso território e aos legítimos direitos e interesses das populações insulares. Ao fim de trinta anos, o regime autonómico afirmou-se como uma das mais frutuosas realizações da nossa democracia, tendo contribuído decisivamente para o progresso económico e social dos Açores e da Madeira.
As competências que a Lei Fundamental atribui ao Presidente da República no que se refere às Regiões Autónomas correspondem à marcação das eleições dos deputados às Assembleias Legislativas, ao envio de mensagens a tais Assembleias e, bem assim, à sua dissolução, a qual, nos termos da Constituição, é feita após audição do Conselho de Estado e dos partidos com representação parlamentar regional.
Compete ainda ao Presidente da República, ouvido o Governo, nomear e exonerar os Representantes da República para as Regiões Autónomas, cabendo a estes a representação da República em cada uma das regiões insulares, não sendo por acaso que a Constituição lhes atribui o poder de assinar e mandar publicar os decretos legislativos regionais e os decretos regulamentares regionais. Relativamente a estes diplomas, é ao Representante da República que compete a respectiva assinatura, o envio para fiscalização preventiva por parte do Tribunal Constitucional ou o exercício do veto político.
A Constituição determina ainda que os órgãos de soberania cooperem com os órgãos de governo próprio, designadamente em domínios que se inscrevem, por natureza, na esfera de competência do Governo, enquanto órgão responsável pela condução da política geral do País. Esse dever de cooperação recíproca, nos termos constitucionais, incide particularmente no desenvolvimento económico e social das Regiões Autónomas e visa, em especial, a correcção das desigualdades resultantes da insularidade. A Lei Fundamental impõe, por conseguinte, que, entre os órgãos de soberania e os órgãos de governo próprio, existam, mais do que meras relações institucionais, relações de cooperação com vista a um objectivo específico: o desenvolvimento económico e social dos Açores e da Madeira.
Neste contexto, cabe sobretudo ao Presidente da República exercer a sua magistratura de influência para que se estabeleça um clima propício à cooperação entre os executivos da República e das Regiões.
Ao longo do meu mandato, tenho procurado que entre os órgãos da República e os órgãos regionais exista um diálogo leal e construtivo e um ambiente favorável a um salutar relacionamento institucional, e que as especificidades das Regiões sejam devidamente tidas em conta. Desloquei me aos Açores e à Madeira, onde tive oportunidade de contactar com as populações insulares, e, por diversas ocasiões, procurei que melhorasse o diálogo entre o poder central e as Regiões. Estas devem ser respeitadas na sua autonomia político-administrativa, tal como devem saber respeitar o princípio fundamental da unidade do Estado. Todos têm a perder com a existência de conflitos entre soberania e autonomia.
Entendo, por outro lado, que o dever de isenção e imparcialidade no tratamento das diversas forças partidárias, que assumo no plano nacional, se estende também aos partidos representados nas Assembleias dos Açores e da Madeira. Neste pressuposto, deve o Presidente da República abster-se de alimentar polémicas ou comentar declarações de agentes políticos proferidas no âmbito do combate partidário próprio da democracia.
Considero ainda que o Presidente da República, do mesmo modo que não deve interferir na organização e funcionamento interno dos demais órgãos de soberania, não pode imiscuir-se na organização e no funcionamento interno dos órgãos regionais. Compete-lhe, no uso da sua magistratura de influência, contribuir para atenuar crispações excessivas ou para ultrapassar situações anómalas, devendo, em princípio, fazê-lo com discrição e, em primeiro lugar, por intermédio dos Representantes da República, a quem cabe o acompanhamento da situação política em cada uma das Regiões, mantendo devidamente informado o Presidente da República.
No ano de 2008, um acontecimento marcou, de forma profunda, o futuro das Regiões Autónomas, bem como a configuração do Estado português como Estado unitário parcialmente regionalizado. Refiro-me, naturalmente, à aprovação da revisão do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores. Estou convicto de que, no processo conducente à aprovação daquele diploma, o que esteve em causa possui um alcance que, muito provavelmente, só o futuro permitirá descortinar em todas as suas implicações. Entendi, por isso, que a questão justificava que os Portugueses dela tivessem o mais amplo conhecimento.
Foi nesse contexto que decidi fazer, no dia 31 de Julho, uma comunicação ao País sobre a revisão do Estatuto Político-Administrativo dos Açores. Desde o início, foi para mim muito claro o que estava em causa. Não era uma questão de maior ou menor apreço pela autonomia das regiões insulares. E não era, também, uma questão que se relacionasse directamente com o titular do cargo de Presidente da República. O que estava em causa, como disse aos Portugueses, era o princípio de confiança e de lealdade política e ins-titucional que deve reger as relações entre os órgãos de soberania. Esta é uma questão que se situa num plano muito distinto do plano da apreciação da constitucionalidade das normas estatutárias.
Refiro-me, muito concretamente, à regra que impõe ao Presidente da República que, para dissolver a Assembleia Legislativa dos Açores, proceda à audição de um conjunto de entidades mais vasto do que aquele que tem de ouvir quando decide dissolver a Assembleia da República, solução que se me afigura absurda. Independentemente de saber se essa solução, além de absurda, é também inconstitucional, existe um elemento anterior que, em meu entender, não é politicamente admissível: um órgão de soberania não deve, através de uma lei ordinária, limitar ou condicionar o exercício dos poderes de outro órgão de soberania, nem deve, tão-pouco, interpretar a Constituição no que se refere ao exercício dos poderes de outro órgão de soberania.
Esta é, como já referi, uma questão de confiança e de lealdade institucional, sem a qual o normal funcionamento das regras básicas do jogo democrático é comprometido e pervertido. Trata-se de um princípio essencial, válido quer no que se refere às competências do Presidente, quer às de qualquer outro órgão de soberania, sem prejuízo das particularidades constitucionais de cada um.
No caso em apreço, não estava em causa, repito, uma defesa dos poderes do Presidente da República, tanto mais que a norma em questão, relativa à dissolução da Assembleia Legislativa da Região, é de aplicabilidade muito remota. Em trinta anos de autonomia regional, jamais a Assembleia dos Açores foi dissolvida e não existem motivos para supor que tal aconteça no futuro próximo.
Antes de se configurar como uma questão jurídico-constitucional, trata se de uma questão de respeito pelos valores fundamentais da República, que são válidos para todos e quaisquer órgãos do Estado. Se a Assembleia da República, por exemplo, decidisse limitar ou condicionar o modo como o Governo exercesse os seus poderes constitucionais, tal princípio seria igualmente posto em causa. E, mesmo que tal solução normativa não fosse necessariamente inconstitucional, sempre seria atentatória daquilo que, em meu entender, corresponde a um dos fundamentos basilares da nossa democracia: a lealdade institucional no contexto do equilíbrio entre poderes soberanos do Estado.
Uma outra norma do Estatuto dos Açores mereceu a minha oposição. Refere-se ela à autolimitação de poderes que os actuais Deputados introduziram naquele diploma. Decidiram os Deputados, mesmo depois de o Presidente da República ter vetado politicamente o diploma que revia o Estatuto, que, doravante, em futuras alterações do Estatuto, apenas poderão modificar os preceitos que a Assembleia Regional entender deverem ser modificados. Num processo de revisão estatutária, cuja abertura compete ao parlamento regional, ficam, pois, os Deputados claramente limitados no exercício de um poder que a Constituição lhes atribui: o poder de aprovar as leis da República. Não é, para mim, compreensível que os Deputados hajam decidido hipotecar desta forma tão drástica a liberdade de acção dos seus sucessores.
A questão, uma vez mais, é essencialmente uma questão de princípio. Neste caso, o que se me afigura inadmissível, tal como encaro a estrutura do Estado português e o funcionamento dos seus órgãos soberanos, é a possibilidade de, por lei ordinária, os membros de um Parlamento limitarem os poderes dos Deputados vindouros. Na verdade, como a iniciativa de revisão estatutária cabe às Assembleias Regionais, e como os Deputados passaram agora a poder intervir apenas nas matérias que essas Assembleias decidirem que sejam revistas, o Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores passou a adquirir um elevadíssimo grau de rigidez, quiçá, até, superior ao da própria Constituição da República, algo que se me afigura um manifesto absurdo. De futuro, a margem de actuação dos Deputados de legislaturas subsequentes fica comprometida – porventura, definitivamente comprometida – por uma opção conjuntural dos Deputados da actual legislatura, opção que, para mais, ficou a dever-se a razões de natureza puramente partidária.
Ao contrário do que se pretendeu fazer crer, entendo que o que esteve em causa foi muito mais importante do que uma questão de relacionamento entre os Deputados à Assembleia da República e o Presidente da República. Os titulares dos cargos são efémeros e transitórios. O mesmo se não dirá dos valores basilares que fundaram a nossa democracia e sustentam o seu funcionamento. Esses, não tenho dúvidas, foram claramente postos em causa, independentemente de qualquer juízo que se faça sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade das normas do Estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores.
Em todo este processo, procurei pautar o meu comportamento por duas regras: colocar o superior interesse nacional acima de tudo e falar verdade aos Portugueses, fazendo-os compreender o alcance e a gravidade desta questão política e institucional.

COMENTÁRIO OPORTUNO DA "Barbearia do senhor Luis":