04 dezembro 2011

UM GOVERNO DE TERROR

Nicolau Santos, A História vos absorverá:                                                              
‘(…)
O que Coelho nos está a propor é que trabalhemos mais horas, por menos dinheiro e com menos direitos — esperando que daí resulte, no final, um país mais moderno, inovador e dinâmico. Está-se a ver que vai resultar...
A Europa é governada pelo duo Merkozy; Portugal pelo duo Coelhar. Coelho dá o aval político ao falcão Vítor Gaspar. O ministro das Finanças é o representante da ortodoxia do BCE no Governo português. E se as coisas correrem muito mal, não é de excluir que venhamos a ter, a prazo, Gaspar no lugar de Coelho, por imposição da Alemanha. Já houve surpresas maiores.
O Orçamento do Estado para 2012 é o espelho do pensamento deste duo. Passos protegeu a sua base de apoio, poupando os municípios, que mantiveram os limites de endividamento e autonomia para contratar, escapando também a fusões e extinções, ao contrário do que está expresso no memorando de entendimento. Em contrapartida, o preconceito de Gaspar contra o sector público está expresso nos cortes de salários e subsídios aos funcionários públicos — e vai acabar durante 2012 na tentativa de despedimento de milhares destes trabalhadores.
(…)
O país que este Governo vai deixar será muito mais pobre e desigual, mas também menos competitivo, inovador e dinâmico. Não, a História não vos absolverá. A História vos absorverá. Como e por que meios, é o que veremos...

O RELVAS DAS VAIAS


                         Miguel Relvas, banqueiro cabo-verdiano
Miguel Relvas é tão bom e luzidio que uma vaia à sua pessoa só pode resultar de uma conspiração. Resta agora esperar que o conhecido banqueiro e ministro nas horas vagas mande as secretas investigar quem ousou incomodar o seu discurso.
«O ministro Miguel Relvas afirmou este sábado que o clima de contestação com que foi recebido, em Portimão, no encerramento do congresso nacional das freguesias foi "gerado e estimulado", mas escusou-se a apontar culpados.» [CM]
É claro que foi gerado e estimulado!... Exactamente e  como todos sabem: pelo comportamento e acção governativa do desajeitado ministro Relvas.
Aliás..Por algum lado havia de começar
“Metade dos congressistas da Anafre saiu da sala, a outra metade ficou a contestar a extinção de freguesias.”

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UM HOMEM COM QUALIDADE




Algumas vezes ouviu Jaime Gama dizer que os políticos são os únicos que têm a derrota como destino inevitável. Uma ou outra vez ripostou. Conhecia vários exemplos de políticos que se souberam retirar a tempo e não passaram por tal angústia, mas com o tempo a frase de Gama acumulou novos sentidos....
 Um homem de bom gosto aprecia mais os vencidos da vida do que os vencedores – mais uma questão poética do que semântica, reconheço. Ainda assim consegue recordar um personagem literário sem a sombra da derrota ou da iniquidade? Ninguém me ocorre. Não vem a propósito da história que lhe quero contar; mas já que navegamos por entre vencedores e sentidos, a opinião que mais sentido fez em mim foi a de José Miguel Júdice. Qualquer coisa como isto: uma pessoa pode perder toda a vida, mas a soma das suas derrotas pode significar uma grande vitória no fim.
Há umas linhas atrás falava-lhe de António Guterres. Poucas vezes ripostou máximas de Gama ou do seu grande amigo Salgado Zenha. As frases de efeito não existem para ser desmascaradas e Guterres também as tinha e gostava de as utilizar no momento certo. Uma das suas preferidas: a travessia do deserto só é possível se a pessoa estiver disposta a passar no deserto toda a vida.
Tenho um sentimento de culpa em relação a Guterres. Não é um episódio importante – como poderia? -, mas nos últimos anos tenho-o recordado com amargura.
Já a ele volto. Antes, regresso ao dia em que, ladeado de ministros, anunciou ao país que não estava disposto a continuar. Ferido por uma vitória que não lhe garantira maioria absoluta e por uma derrota copiosa nas autárquicas, António Guterres surpreendeu quase todos e condenou-se a si próprio ao deserto de que tanto falava aos amigos. Passaram já quase dez anos e ainda hoje é citado pelo seu apelo à clarificação como única maneira de Portugal não se afundar no pântano.
Tanto se disse sobre Guterres nesses anos – que era pouco corajoso, hesitante, inconsequente, medíocre. Tanto se disse naqueles primeiros meses, depois o tempo fez o que é suposto e os ataques suavizaram-se.
Atrevo-me a contar três pequenos episódios que, porventura, vieram à cabeça de Guterres na noite da sua resignação. Nenhum deles foi o motivo directo para desistir, mas qualquer um dos três fê-lo reflectir no que é verdadeiramente importante e realmente acessório.
A primeira história passou-se em Nova Iorque, numa reunião da Internacional Socialista, em plena sala da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Shimon Peres, após ter perdido as eleições e umas semanas depois da morte de Itzhak Rabin, fez uma intervenção onde confessou que Rabin só foi discursar no sítio onde haveria de morrer porque ele o convencera a isso. E que perdera as eleições por defender a paz quando sabia perfeitamente que o país desejava a guerra. Na sua opinião, não fazia qualquer sentido abdicar de uma questão de princípio para tentar ganhar. António Guterres, que recentemente fora empossado primeiro-ministro, ouviu numa das primeiras filas e a si próprio prometeu não defraudar as expectativas da mensagem de Peres.
A segunda foi um desabafo numa conversa, em Agosto de 1999, em São Bento. Falávamos sobre as funções de primeiro-ministro e Guterres confrontou-me com aquilo q eu para si era uma constatação. «Se quantificarmos o exercício das minhas funções, 80 por cento da vida de um primeiro-ministro é horrível de aturar. Gerir os conflitos das pessoas, os seus ciúmes e expectativas nem sempre correspondidas, gerir o peso da máquina administrativa, uma máquina que emperra e faz perder horas e horas e horas. A tudo isto acrescente-se a falta de privacidade da minha família, eu não posso ter uma vida parecida com a das outras pessoas».
A terceira é íntima e por isso não me alongo mais do que a conta. Tem a ver com a relação de António Guterres com Deus e a forma como reagiu à perda de Luísa, a sua primeira mulher. A doença foi uma verdadeira via-sacra, é público que realizou intervenções e esteve próxima da morte várias vezes. Fez um transplante hepático, extraiu o cólon e António várias vezes julgou que a hora de confortar os seus dois filhos tinha chegado. Só que Luísa melhorou e aparentemente só faltava resolver um último problema, o cirurgião chegou a dizer-lhes que face ao que ela já sofrera a operação não passava de um anticlímax. Nessa operação, quase de rotina, acabou por morrer. Que sentido para a vida e para Deus?, questionou.
Nenhum dos episódios explica o que quer que seja. Mas talvez a soma dos três possa fazer-nos encontrar uma explicação – grandiosidade de Peres quando comparados com objectivos rasteiros; procura de um sentido para uma vida cada dia com menos sentido e constatação do desperdício da larga maioria do seu tempo.
Tenho um sentimento de culpa em relação a Guterres. Ele anunciou ao país que não podia continuar e no Partido Socialista discutiu-se a sucessão. Vários nomes foram apontados e acabou por avançar Ferro Rodrigues. Como independente integrei a Comissão de Honra da sua candidatura às eleições legislativas.
Dei opiniões sem qualquer importância e participei num comício na antiga FIL. A sala estava cheia e eu fui um dos que discursaram. Exaltei as qualidades do candidato. Ao contrário de Guterres, Ferro era um homem de coragem, firme, consequente e que lutaria contra a mediocridade e por uma nova esquerda. As pessoas aplaudiram muito, eu abracei o candidato e voltei a sentar-me.
Inebriado de holofotes fiz o que critico nos outros. E não me importei de matar o carácter de António Guterres para reforçar o carácter do que acreditava na altura ser o melhor. Todos os dias vemos homens sem qualidades humilhar pessoas que não se podem ou querem defender. Uns fazem-no por motivos do grande poder e outros pela possibilidade de se sentarem à mesa dos poderosos num almoço ou noutro. Naquela tarde, disse tudo aquilo sem pensar nas consequências que as palavras teriam em mim.
Foram bastantes os aplausos. Proporcionais à dor que senti quando deles tive a verdadeira consciência."
Ficheiros secretos
Luís Osório







Terça-feira, 29 de Novembro de 2011


Francisco Assis

O deputado socialista Francisco Assis diz que as alterações introduzidas pelo no Orçamento são "mínimas", considerando que "poderia ter ido mais longe". Apesar das propostas de alteração, salienta que o PS não fica "prisioneiro" do documento.
"Não tenho dúvidas que o facto do PS ter apresentado propostas de alteração no Parlamento teve um papel determinante e condicionou fortemente o papel do PSD e do CDS mas isso não significa que o PS fique prisioneiro deste Orçamento do Estado", disse Francisco Assis aos jornalistas, à margem do Clube dos Pensadores em Gaia, quando questionado sobre as votações sobre o Orçamento do Estado para 2012 (OE2012) que decorreram, segunda-feira, no Parlamento.
Quando lhe foi perguntado se concordava com a opinião do secretário-geral do PS, António José Seguro - que afirmou que as alterações do Governo eram "minimalistas" - o ex-líder da bancada parlamentar respondeu que eram alterações mínimas "aquelas que foram acolhidas pelo governo", afirmando estar "convencido que o governo poderia ter ido mais longe e que teria sido desejável que tivesse ido mais longe".
"O governo poderia ter manifestado mais abertura em relação às propostas que o PS fez mas o que fica do ponto de vista do PS é uma posição muito clara de assunção da sua responsabilidade num momento particularmente difícil da vida do país", sublinhou.
Assis, que nas últimas eleições concorreu contra Seguro para a liderança do PS, afirmou que o anúncio socialista da abstenção na votação final do OE2012 foi a "posição correcta", uma vez que "seria muito mau sinal que o principal partido da oposição votasse contra o Orçamento".
"O PS deixou claras as suas divergências, que se fossemos nós a governar teríamos hoje, nalgumas áreas, outras prioridades, sem pormos em causa a necessidade de levar a cabo políticas difíceis, de austeridade", garantiu, deixando bem clara a ideia que Seguro tem vindo a defender de que "este não é o orçamento do PS" mas sim do governo e da maioria de Direita.
O deputado disse ainda que seria "desejável que os grupos parlamentares que apoiam o governo na Assembleia da República produzissem outro tipo de discurso mais sério e mais responsável porque resvalam demasiadas vezes" para "procurarem atacar indevidamente a maioria anterior considerando que todos os problemas com que o país se defronta resultam de erros de governação anterior, o que é manifestamente falso", na opinião de Assis.
"Tem que haver um esforço de afirmação das nossas preocupações a nível europeu e eu aí acho que o Governo tem falhado um pouco e devia articular-se mais com outros governos europeus no sentido de fazer prevalecer o seu próprio ponto de vista. (...) Os interesses de Portugal não são sempre os interesses da Alemanha ou da França", condenou.
Nas votações de especialidade do Orçamento, na segunda-feira, o PS absteve-se na proposta da maioria de introduzir uma modelação dos cortes entre os 600 e os 1100 euros, tendo votado contra a proposta de cortar integralmente os subsídios de férias e de natal a partir dos 1100 euros mensais.

in JN

Deve ser por estas, e por outras, que alguns "apoiantes" de Francisco Assis, já há muito que não lhe passam a minima... Para mim, está cada vez mais claro que o apoio de muita gente a essa candidatura, foi circunstancial. Apenas serviria para ir aquecendo o lugar para outros, cujo momento para avançar não consideraram oportuno. Continuo a considerar o Francisco Assis.
CA






 


Todos os dias vemos homens sem qualidades humilhar pessoas que não se podem ou querem defender. Uns fazem-no por motivos do grande poder e outros pela possibilidade de se sentarem à mesa dos poderosos num almoço ou noutro.

Algumas vezes ouviu Jaime Gama dizer que os políticos são os únicos que têm a derrota como destino inevitável. Uma ou outra vez ripostou. Conhecia vários exemplos de políticos que se souberam retirar a tempo e não passaram por tal angústia, mas com o tempo a frase de Gama acumulou novos sentidos....
Um homem de bom gosto aprecia mais os vencidos da vida do que os vencedores – mais uma questão poética do que semântica, reconheço. Ainda assim consegue recordar um personagem literário sem a sombra da derrota ou da iniquidade? Ninguém me ocorre. Não vem a propósito da história que lhe quero contar; mas já que navegamos por entre vencedores e sentidos, a opinião que mais sentido fez em mim foi a de José Miguel Júdice. Qualquer coisa como isto: uma pessoa pode perder toda a vida, mas a soma das suas derrotas pode significar uma grande vitória no fim.
Há umas linhas atrás falava-lhe de António Guterres. Poucas vezes ripostou máximas de Gama ou do seu grande amigo Salgado Zenha. As frases de efeito não existem para ser desmascaradas e Guterres também as tinha e gostava de as utilizar no momento certo. Uma das suas preferidas: a travessia do deserto só é possível se a pessoa estiver disposta a passar no deserto toda a vida.
Tenho um sentimento de culpa em relação a Guterres. Não é um episódio importante – como poderia? -, mas nos últimos anos tenho-o recordado com amargura.
Já a ele volto. Antes, regresso ao dia em que, ladeado de ministros, anunciou ao país que não estava disposto a continuar. Ferido por uma vitória que não lhe garantira maioria absoluta e por uma derrota copiosa nas autárquicas, António Guterres surpreendeu quase todos e condenou-se a si próprio ao deserto de que tanto falava aos amigos. Passaram já quase dez anos e ainda hoje é citado pelo seu apelo à clarificação como única maneira de Portugal não se afundar no pântano.
Tanto se disse sobre Guterres nesses anos – que era pouco corajoso, hesitante, inconsequente, medíocre. Tanto se disse naqueles primeiros meses, depois o tempo fez o que é suposto e os ataques suavizaram-se.
Atrevo-me a contar três pequenos episódios que, porventura, vieram à cabeça de Guterres na noite da sua resignação. Nenhum deles foi o motivo directo para desistir, mas qualquer um dos três fê-lo reflectir no que é verdadeiramente importante e realmente acessório.
A primeira história passou-se em Nova Iorque, numa reunião da Internacional Socialista, em plena sala da Assembleia-Geral das Nações Unidas. Shimon Peres, após ter perdido as eleições e umas semanas depois da morte de Itzhak Rabin, fez uma intervenção onde confessou que Rabin só foi discursar no sítio onde haveria de morrer porque ele o convencera a isso. E que perdera as eleições por defender a paz quando sabia perfeitamente que o país desejava a guerra. Na sua opinião, não fazia qualquer sentido abdicar de uma questão de princípio para tentar ganhar. António Guterres, que recentemente fora empossado primeiro-ministro, ouviu numa das primeiras filas e a si próprio prometeu não defraudar as expectativas da mensagem de Peres.
A segunda foi um desabafo numa conversa, em Agosto de 1999, em São Bento. Falávamos sobre as funções de primeiro-ministro e Guterres confrontou-me com aquilo que para si era uma constatação. «Se quantificarmos o exercício das minhas funções, 80 por cento da vida de um primeiro-ministro é horrível de aturar. Gerir os conflitos das pessoas, os seus ciúmes e expectativas nem sempre correspondidas, gerir o peso da máquina administrativa, uma máquina que emperra e faz perder horas e horas e horas. A tudo isto acrescente-se a falta de privacidade da minha família, eu não posso ter uma vida parecida com a das outras pessoas».
A terceira é íntima e por isso não me alongo mais do que a conta. Tem a ver com a relação de António Guterres com Deus e a forma como reagiu à perda de Luísa, a sua primeira mulher. A doença foi uma verdadeira via-sacra, é público que realizou intervenções e esteve próxima da morte várias vezes. Fez um transplante hepático, extraiu o cólon e António várias vezes julgou que a hora de confortar os seus dois filhos tinha chegado. Só que Luísa melhorou e aparentemente só faltava resolver um último problema, o cirurgião chegou a dizer-lhes que face ao que ela já sofrera a operação não passava de um anticlímax. Nessa operação, quase de rotina, acabou por morrer. Que sentido para a vida e para Deus?, questionou.
Nenhum dos episódios explica o que quer que seja. Mas talvez a soma dos três possa fazer-nos encontrar uma explicação – grandiosidade de Peres quando comparados com objectivos rasteiros; procura de um sentido para uma vida cada dia com menos sentido e constatação do desperdício da larga maioria do seu tempo.
Tenho um sentimento de culpa em relação a Guterres. Ele anunciou ao país que não podia continuar e no Partido Socialista discutiu-se a sucessão. Vários nomes foram apontados e acabou por avançar Ferro Rodrigues. Como independente integrei a Comissão de Honra da sua candidatura às eleições legislativas.
Dei opiniões sem qualquer importância e participei num comício na antiga FIL. A sala estava cheia e eu fui um dos que discursaram. Exaltei as qualidades do candidato. Ao contrário de Guterres, Ferro era um homem de coragem, firme, consequente e que lutaria contra a mediocridade e por uma nova esquerda. As pessoas aplaudiram muito, eu abracei o candidato e voltei a sentar-me.
Inebriado de holofotes fiz o que critico nos outros. E não me importei de matar o carácter de António Guterres para reforçar o carácter do que acreditava na altura ser o melhor. Todos os dias vemos homens sem qualidades humilhar pessoas que não se podem ou querem defender. Uns fazem-no por motivos do grande poder e outros pela possibilidade de se sentarem à mesa dos poderosos num almoço ou noutro. Naquela tarde, disse tudo aquilo sem pensar nas consequências que as palavras teriam em mim.
Foram bastantes os aplausos. Proporcionais à dor que senti quando deles tive a verdadeira consciência."

Ficheiros secretos
Luís Osório

RODRIGO LEÃO - Aviões de Papel

Presépios - Do religioso ao atractivo turístico

A representação do nascimento de Cristo há muito que é presença em Igrejas e casas particulares. Nos últimos anos, contudo, esta manifestação da natividade começa a fazer-se fora de portas, como em Alenquer e Monsaraz, atraindo visitantes. O presépio ganha agora uma dimensão turística.

Sara Pelicano | sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

«Cinco horas de chuvas torrenciais mergulharam a Grande Lisboa na maior inundação que a região alguma vez conheceu. Foi a 25 de Novembro de 1967, provocaram mais de 700 mortos e cerca de 1100 desalojados em Lisboa, Loures, Odivelas, Vila Franca de Xira e Alenquer. A enxurrada matou famílias inteiras, arrastou carros, árvores e animais e destruiu pontes, estradas e casas». Em 2007, o Diário de Noticias recuperava memórias, assinalando os 40 anos volvidos sobre a tragédia.

No ano de 1967, em Alenquer, para ajudar as vítimas das enxurradas gera-se um grande movimento de solidariedade que o município quis assinalar de forma emblemática. Deste modo nasce na colina da vila do distrito de Lisboa um presépio de grandes dimensões. As figuras tinham cinco a seis metros de altura. «Tornou-se um atractivo turístico. Durante anos, quando não havia auto-estradas, as pessoas faziam fila na Estrada Nacional 1 para ver o presépio», conta João Mário, o presidente da Câmara Municipal de Alenquer à data.

O ex-autarca é também pintor e foi ele mesmo, junto com outras pessoas com jeito para as artes, que esboçou e pintou as imagens do presépio, construídas em madeira por um artesão local. «Com o tempo, as imagens estragaram-se e foram feitas outras de chapa. Mas o que importa é que continua a expor-se todos os anos», comenta.
Os anos passam, e o
presépio ultrapassa a dimensão religiosa, consolidando-se como atractivo turístico.
As representações do presépio, nesta quadra natalícia, acontecem um pouco por todo o país. No Alentejo, em Monsaraz, o presépio faz-se à escala da vila medieval. As figuras dos reis Magos, acompanhados pelo povo, enchem ruas e largos, num movimento encenado em direcção ao Castelo. Aí, encontram-se Maria e José.

Emblemático é também o presépio de Estremoz, destacando-se a tradição cerâmica. O arquipélago dos Açores tem também fortes ligações à natividade, existindo em Lagoa, na ilha de São Miguel, o Museu do Presépio Açoriano.

Presépio, uma representação do Património
O Menino Jesus, São José e a Virgem Maria são as figuras principais do presépio e transversais a esta representação da natividade por todo o Mundo. No dicionário de português, presépio significa estábulo, ou seja o local onde se guardam os animais.

Os Evangelhos descrevem que Maria e José, que seguiam viagem até Belém, ter-se-ão abrigado num estábulo. Foi neste local que Maria deu à luz Jesus Cristo há mais de dois mil anos. A data é comemorada por várias religiões, os cristãos vivem o Natal (do latim natalis, ou seja nascimento) desde o século IV, no dia 25 de Dezembro. O dia de comemoração do Natal não é reconhecido como a data efectiva do nascimento de Jesus. Pode ter sido inicialmente escolhida por ser o momento de um festival Romano ou correspondente ao solstício de Inverno. O que é facto é que o presépio ficou desde sempre ligado ao Natal e às comemorações católicas do nascimento de Cristo.
A imagem de Jesus Cristo permanece ausente do presépio até às zero horas do dia 25 de Dezembro. Cumpre-se aqui um ritual do Natal, a colocação do recém-nascido na manjedoura nesta hora.
Junta-se assim aos pais que são acompanhados por outras figuras, onde não vão faltar, a 6 de Janeiro, os Reis Magos. Em Portugal, surgem lado a lado com a representação religiosa, moinhos de vento, pastores, sapateiros, ferreiros entre outros elementos que caracterizam o património e o local onde são construídos.

O presépio terá nascido em 1223, quando São Francisco de Assis festejou o Natal (depois de uma visita à Terra Santa) juntamente com cidadãos de Assis, em Itália, na floresta de Greccio. O franciscano, depois da autorização papal, mandou transportar uma manjedoura, um boi e um burro para o local para tornar a liturgia do Natal mais compreensível e acessível à população.

Contudo, alguns estudiosos remetem esta história para a dimensão da lenda e aponta a existência do primeiro presépio para o ano de 1558, quando o escultor Bastão D. Artiaga construiu uma estrutura, baseada na Natividade, para a irmandade dos livreiros
.
O século XVI foi marcado pela prosperidade dos presépios, sobretudo nas ordens monásticas. O salto para as igrejas dá-se no século seguinte. Ainda no século XVII, a representação do nascimento de Cristo começa a colocar-se em casas particulares.

A grande consolidação do presépio acontece, por fim, no século XVIII. De acordo com José de Almeida Mello, «o século XVIII foi considerado, em todo o mundo, e segundo Diogo de Macedo, o 'século do presépio', não só em Portugal, como também em vários países da Europa, com destaque para a Itália, onde vários portugueses frequentaram escolas de presépios, aprendendo novas formas e novos estilos», escreve no livro «Presépios na Ilha de São Miguel», editado em 2009.

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03 dezembro 2011

LISTA DOS 500 MELHORES ÁLBUNS DE MÚSICA DE SEMPRE

Anexo:Lista dos 500 melhores álbuns de sempre da revista Rolling Stone

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Em 2003, a revista americana Rolling Stone publicou um artigo, no qual considerava serem estes os melhores 500 álbuns de todos os tempos. A lista foi feita por 273 músicos de rock, críticos de música e pessoas ligadas a indústria da música, sendo que cada um fez uma lista com 50 álbuns.
Vários gêneros musicais estão presentes na lista: rock, blues, jazz, hip-hop entre outros. Predominantemente de influência inglesa, somente um álbum não foi produzido em um país que se fala o inglês, o álbum Trans-Europa Express do grupo alemão Kraftwerk (#253).
Em 2003 ainda a revista Rolling Stone fez uma lista das 500 melhores canções de todos os tempos, curiosamente somente 7 canções dos álbuns Top 10 aparecem no top 100 das músicas ( "Like a Rolling Stone" (n°1) do álbum Highway 61 Revisited do Bob Dylan, "What's Going On" do álbum homônimo de Marvin Gaye (n°4), "London Calling" do álbum homônimo do The Clash (n°15), "In My Life" (nº23) e "Norwegian Wood (This Bird Had Flown)" (nº83) do Rubber Soul dos Beatles, "God Only Knows" do Pet Sounds dos Beach Boys (n°25) e "A Day in the Life" do Sgt. Pepper's dos Beatles (n°26).

Índice

[esconder]

[editar] Top 10

  1. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles)
  2. Pet Sounds (The Beach Boys)
  3. Revolver (The Beatles)
  4. Highway 61 Revisited (Bob Dylan)
  5. Rubber Soul (The Beatles)
  6. What's Going On (Marvin Gaye)
  7. Exile on Main St. (The Rolling Stones)
  8. London Calling (The Clash)
  9. Blonde on Blonde (Bob Dylan)
  10. The Beatles (Álbum Branco) (The Beatles)

[editar] Artistas com maior número de álbuns

[editar] Número de álbuns por década

  • 1950 e anteriores - 29 álbuns (5.8%)
  • 1960 - 126 (25.2%)
  • 1970 - 183 (36.6%)
  • 1980 - 88 (17.6%)
  • 1990 - 61 (12.2%)
  • 2000 - 13 (2.6%)

[editar] Listas internacionales

[editar] 2007

  • Rolling Stone Brazil's Os 100 maiores discos da música brasileira
  • Rolling Stone Argentina's, 100 mejores discos del rock nacional[1]
  • Rolling Stone Indonesia's 150 Album Indonesia Terbaik
  • Rolling Stone Japan's 100 Greatest Japanese Rock Albums

[editar] 2008

  • Rolling Stone Chile's Los 50 mejores discos chilenos

[editar] 2010

  • Rolling Stone France's 100 disques essentiels du rock français[2]
  • Rolling Stone Spain's Los 50 mejores discos del rock español[3]
  • Rolling Stone Germany's Die 50 besten deutschen Alben[4]

[editar] Referências

  1. ↑ http://www.rollingstone.com.ar/899791
  2. ↑ Rolling Stone; n° 18; fevereiro 2010; ISSN 1764-107L
  3. ↑ http://www.rollingstone.es/specials/view/los-50-mejores-discos-del-rock-espanol-1
  4. ↑ http://www.rollingstone.de/magazin/features/article63672/Die-50-besten-deutschen-Alben-die-Top-20.html

[editar] Ligações externas

ESTRADA DA VIDA


A ESTRADA DA VIDA

Tantas vezes quis partir
E tive sempre de ficar
Mais tarde quis desistir
Quando tive de abalar

A estrada da minha vida,
É constante caminhada
Não sei se é  porto  de partida,
se é um cais de chegada.

sinto-me pirata: 

"TEIMOSIA ALEMÃ" TEVE CULPA

"Os ministros das finanças não quiseram não ver os problemas", acusou Jacques Delors
"Os ministros das finanças não quiseram ver os problemas", acusou Jacques Delors
Reuters
O antigo presidente da Comissão Europeia Jacques Delors sublinhou hoje que a zona euro é defeituosa desde a sua criação e os esforços feitos para ultrapassar a crise têm sido poucos e chegaram tarde.
Delors, que chefiou a Comissão entre 1985 e 1995, considerou que os erros cometidos no lançamento do euro em 1999 conduziram à crise atual, numa entrevista hoje publicada no jornal britânico The Daily Telegraph.
Os políticos que lançaram o euro ignoraram as debilidades e os desequilíbrios existentes nas economias dos Estados-membros, afirmou um dos arquitetos da moeda única europeia.
"Os ministros das finanças não quiseram  ver os problemas", afirmou, defendendo que todos os países europeus devem repartir a responsabilidade da crise atual.

 Ler mais: http://aeiou.expresso.pt/delors-esforcos-para-sair-da-crise-sao-poucos-e-chegaram-tarde=f692039#ixzz1fVErQDYh

ESPERAM-SE RESPOSTAS ACEITÁVEIS DA FRANÇA E ALEMANHA

Luis Amado

O antigo ministro dos Negócios Estrangeiros português Luís Amado afirmou hoje, na Cidade da Praia, esperar que  França e a Alemanha se entendam sobre como pretendem apresentar propostas "aceitáveis" para os restantes países europeus.

VIVINHA DA COSTA


Sobre duas varinas numa foto de Joshua Benoliel – 1945

A luz do vosso olhar vai empurrar a frente da força da neblina. Por enquanto aguardam na lota o pregão do valor do peixe. Só mais tarde, já com a canastra à cabeça, vão cantar o pregão do preço da sardinha, do carapau ou da pescada. Vivinha da Costa – se for o caso.
Por enquanto o vosso olhar está suspenso. No ferro separador o braço direito da varina da camisa escura apoia o queixo. A varina da camisa branca usa um cordão de ouro igual. Tal como é igual o chapéu onde colocam ambas uma rodilha nova para o armar. Quando saem da lota com a canastra de peixe coberta com um oleado verde, sobem às colinas da cidade e voltam as costas à Ribeira e ao Cais do Sodré. Há quem veja nas canastras a projecção das fragatas, dos varinos e das faluas tal como eu vejo nas rendas das mulheres das praias do Atlântico uma cópia das redes dos pescadores que arriscam a vida na faina da noite.
Aqui ao lado na Avenida 24 de Julho, na última semana de Agosto, passou a procissão da Senhora da Atalaia. Vieram círios de diversos lugares da cidade, passaram com bandeiras e estandartes para seguirem de barco para o Montijo. Na capela da Atalaia os ex-votos pintados de modo ingénuo agradecem à Padroeira a vida salva nos naufrágios do Mar da Palha. Aqui chegam poucas notícias. Sabemos que no Ribatejo e no Alentejo houve em Abril uma série de greves e concentrações de trabalhadores rurais contra a subida dos preços e a escassez de géneros. Tantos anos depois desta foto podemos afirmar: são muito bonitas as duas varinas. Em 1945 o ideal de beleza está em Hermínia Silva, em Amália Rodrigues, nas três irmãs Meireles que cantam na Rádio. São bonitas as varinas e nenhuma delas se preocupou com o fotógrafo nem com a luz do magnésio, no seu esplendor de brevidade.
daqui

APOIO À COMPETITIVIDADE-CRESCIMENTO E EMPREGO

O Parlamento Europeu aprovou ontem o aumento das taxas de co-financiamento para os fundos da União Europeia (UE) destinados aos seis países mais afectados pela crise económica, incluindo Portugal, e que poderão ir até aos 95%.

As medidas, que estarão em vigor até ao final de 2013, diminuem a contribuição nacional de Portugal, Grécia, Irlanda, Roménia, Letónia e Hungria em projectos que reforcem a competitividade, o crescimento e o emprego.

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Eu pago? Eu pagava!



A LER n.º 108 / Dezembro está na rua. Mário Soares, que faz 87 anos na próxima quarta-feira, dia 7, é o entrevistado de Carlos Vaz Marques. O pretexto próximo é a publicação de Um Político Assume-se, o ensaio autobiográfico que o Círculo de Leitores e a editora Temas & Debates acabam de publicar. Sobre o livro, escreve Joaquim Vieira. Voltando à entrevista, destaco um episódio relacionado com Saramago: «Quando morreu o Ary dos Santos [...] eu era primeiro ministro, resolvi ir ao enterro dele. Pois se eu era amigo dele e ele era um grande escritor, porque é que eu não havia de ir lá por ele ser comunista? [...] Ninguém me falou, toda a gente voltou a cara. Nessa altura, foi a que foi mulher do Saramago antes da Pilar, [a escritora Isabel da Nóbrega] de quem eu era amigo desde tempos imemoriais, quando ela ainda vivia com o Gaspar Simões, que me veio dizer ‘Mário vá-se embora, que estes tipos têm-lhe ódio, são uns fanáticos’ [...] anos depois, graças em parte à Pilar, voltei a ter relações de grande proximidade com Saramago.» Mas não esperem confissões íntimas: «Não entro na minha vida pessoal. Sou um marido com 62 anos de casado.» Ponto. Destaco ainda um ensaio de Gustavo Rubim sobre Alves Redol, cujo centenário do nascimento ocorre no próximo dia 29. O resto, que é muito, inclui crónicas — a minha é sobre Tony Judt —, recensões críticas, resenhas, artigos de vária índole, a coluna do Provedor, uma conversa com Miguel Gonçalves Mendes, etc. Há ainda o Best of 2011 da revista (trinta livros) e as escolhas de dez críticos (cem livros), mas uma coisa não decorre da outra: são listas autónomas. Numa banca ou livraria perto de si.

A NOVIDADES....

POIS!...

O SINDICATO


A partir da próxima segunda-feira, o Banco Central Europeu, a Reserva Federal norte-americana e os bancos centrais do Canadá, Inglaterra, Suíça e Japão vão injectar capitais nos bancos da zona euro, a juro muito baixo (0,5%), até Fevereiro de 2013. A Itália é a prioridade, embora, no seu conjunto, o plano tenha em vista evitar o colapso do euro. Nesta altura do campeonato é capaz de ser tarde.


[Imagem: Público.]