23 novembro 2011

E ... A ESPANHA AQUI TÃO PERTO


Espanha com a economia à beira de um ataque de nervos

Parafraseando Lenine, muitos economistas espanhóis se perguntam: o que fazer? A tentação, pelo menos entre as filas dos economistas vinculados ao partido ganhador neste domingo, é produzir um choque de desvalorização sem desvalorizar. Ou seja: baixar custos trabalhistas, eliminar direitos, aliviar empresas de impostos, derrubar os juros corporativos que podem entorpecer o caminho, etc. Uma solução que foi tentada com catastróficas consequências na Argentina, em 2001. O artigo é de Óscar Guisoni.

A economia espanhola está à beira do colapso? A situação é tão grave como as manchetes dos jornais deixam transcender a cada dia? Ou se trata de um pânico generalizado, alimentado por um punhado de especuladores ansiosos, com pouco fundamento na realidade? Que tipo de crise sacode o país há três anos? E, sobretudo, que soluções existem à vista? Todas estas questões foram debatidas com força, embora sem chegar à profundidade do problema, durante a campanha eleitoral, sem que a maioria da população tenha formado uma ideia muito clara da situação real.
Diante da dúvida, não há nada melhor que os números para descrever o estado do paciente. O primeiro número que causa impacto é o de desocupados. Com cinco milhões de desempregados - 21,3 por cento da população activa - era óbvio que o assunto ia se transformar no epicentro da campanha eleitoral. Mas os candidatos do PSOE e do PP se emaranharam em mais de uma batalha dialéctica sem explicar à população que os desempregados são um sintoma da crise e não a sua causa principal. Sobre as causas do desemprego não houve grandes debates, ambos aceitaram o fato de que tudo se deve ao estouro da bolha imobiliária de 2008, que deteve de repente um dos grandes motores da economia. E então?
Se o problema foi o estouro, sustentam algumas vozes económicas com forte peso dentro do Partido Popular que se apresenta a ocupar o governo após o forte triunfo de domingo, a solução será sair com outra bolha como já foi feito outras vezes. Está claro que o PP continua pensando que se pode recorrer a outra bolha como fez com a imobiliária, em seu momento, o primeiro governo de José María Aznar em 1996. Mas o problema não é tão simples, porque a economia espanhola tem um problema sério de competitividade que está relacionado muito mais com a força desmedida do euro, sua moeda obrigatória. Ao longo dos últimos 35 anos a Espanha sempre resolveu suas crises crónicas de emprego recorrendo à desvalorização, um instrumento que agora só pode estar disponível se abandonar a moeda comum europeia, um horizonte que está no cardápio dos economistas conservadores próximos a Rajoy. (ler mais aqui)
de Oscar Guisoni- in Carta Maior
Apontamento:
Por Emir Sader
O resultado não poderia ser pior para o PSOE. Como em Portugal e na Grecia, a social democracia aplica um duro ajuste fiscal, perde apoio popular e entrega de volta o governo à direita. Sem que apareça ainda o horizonte de superação da dicotomia direita-social democracia, que tem levado a política europeia ao beco sem saída.
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