18 fevereiro 2012

A CAMINHO DA DESTRUIÇÃO DO "EURO"?

 





Milhões de portugueses viram e ouviram ontem à noite nas televisões os formatadores de opinião com lugar cativo nos media - que tenho designado de "comentadores da economia doméstica" - dizer que estas medidas de austeridade eram inevitáveis porque os mercados assim o exigiam. Caso contrário, deixariam de nos comprar a dívida pública.

E para dar mais força ao argumento, diziam: "ponham os olhos na Espanha que não deixou apodrecer a situação e cortou a despesa logo em Maio. Agora pagam taxas bem inferiores às nossas." E parecia que tinham razão.
Mas não tinham. Como temos explicado no Ladrões (mais recentemente
aqui e aqui), quer a boa teoria económica - aquela que deixa a realidade questionar os seus pressupostos e as causalidades que propõe - quer a trajectória recente dos países do euro que aplicaram a política económica do FMI, dizem-nos que políticas de austeridade em períodos de recessão são contraproducentes, sobretudo quando não podem ser apoiadas por desvalorizações competitivas.

Ou seja, os países do euro que adoptaram a austeridade continuam a apresentar "fracas perspectivas de crescimento", o que aliás levou a uma recente queda da notação da dívida irlandesa. Em consequência, a Irlanda já está outra vez a pagar juros proibitivos. Mas foi para acalmar estas agências que o governo da Irlanda tinha reduzido os salários dos funcionários públicos por duas vezes num total de mais de 20%.

Pois bem, a Espanha acaba de saber que também está na mesma espiral recessiva da Grécia, Hungria, países do Báltico e Irlanda. Hoje no
Público (electrónico): "a agência de notação financeira (rating) Moodys baixou hoje a nota da Espanha em um nível devido às fracas perspectivas de crescimento económico, adiantando que a recuperação dos sectores de construção e imobiliário vai demorar vários anos."
Recordo que a Espanha é o maior destino das nossas exportações.
Apesar da esmagadora propaganda que a SIC e a TVI fazem quanto à necessidade desta política, mais tarde ou mais cedo a maioria dos portugueses vai perceber que Portugal entrou numa espiral recessiva: em finais de 2011 teremos muito mais desemprego, um défice público que resiste à descida e uma dívida pública ainda maior. E mesmo com um orçamento aprovado/tolerado pelo PSD, as agências acabarão por dizer que o país tem "fracas perspectivas de crescimento económico" e decretarão que a dívida pública portuguesa é "lixo".
E o Banco Central Europeu não terá outro remédio senão continuar a financiar os bancos portugueses, e os dos restantes países em dificuldades, enquanto a Alemanha não decidir mudar de orientação ou ... acabar com o euro. Sim, este caminho foi uma decisão política da Alemanha. Recusou uma política expansionista de relançamento coordenado da economia europeia e entregou a nossa sorte aos humores das agências financeiras.
Paul De Grauwe, professor na universidade de Lovaina e especialista de economia europeia, explica tudo (
aqui e aqui).
O problema é que em Portugal a esmagadora maioria dos actores políticos não sabe e/ou não quer ver. E, como se sabe, o pior cego é o que não quer ver. Até quando teremos de esperar por uma alternativa política?
Não há ave que resista

FOI QUE SE VIU...



Da cooperação estratégica à cooperação activa

A cooperação estratégica de Cavaco Silva com os governos de José Sócrates foi o que se viu, enquanto o PSD se queixava da asfixia democrática e a Presidência fazia constar inventonas sobre  escutas  das suas intimidades presidenciais.  E ao mesmo tempo que Sócrates se esfalfava a encontrar soluções para o financiamento da economia Cavaco Silva manifestava-se preocupado com a origem do dinheiro, nunca se percebendo se receava que fosse dinheiro obtido depois de espremidos os tibetanos ou de os jovens americanos ficarem chupados das carochas com o consumo de crack.
Passado esse período negro respira-se alegria em Belém, já ninguém se preocupa com a origem do dinheiro da troika nem com os seus custos humanos ou financeiros, a liberdade que se vive no país faz lembrar o PREC e um dia destes Cavaco ainda vai atribuir a Ordem da Liberdade a Miguel Relvas e aos seus adjuntos, qual Salgueiro Maia mais os soldados de Santarém . Os trocos pagos pelo partido Comunista Chinês pareceram uma lufada de ar fresco democrático na economia portuguesa.
Mas A presidência não se limita a cantar o giroflé-giroflá pelo meio dos canteiros de Belém enquanto Passos Coelho trabalha que se desunha em defesa do país, como diz o micro-Mendes. Cavaco até tem ido mais longe, não se limitando  a um “deixem-no governar”, ou mesmo à audaz cooperação estratégica de outros tempos, Cavaco Silva está indo mais longe e já ultrapassou o que se poderia designar por cooperação estratégica. O pessoal da Casa Civil só não se oferece para ir desempenhar funções caninas a São Bento porque, como se sabe, Passos Coelho farta-se de adoptar cães abandonados e candidatos a ministro com ar de sem-abrigo. Além disso nunca se sabe como iria reagir o famoso pavão de São Bento perante a invasão de tantos pavões vindos de Belém...
ler mais aqui

O minha rozinha na festa de concertinas com simao e ceus alunos nas rua...

Concertinas montalegre 2010

POIS!... É QUERIDA BOYADA

A vingança do Álvaro


Questionado no Conselho de Ministros sobre o despedimento de 350 trabalhadores da Peugeot-Citroën de Mangualde, o Álvaro sempre pode ir dizendo:
    Senhor Primeiro-ministro, não me peça contas a mim... O Senhor é que ofereceu a gestão da AICEP a um amigo seu que vinha de uma agência de comunicação e entregou a tutela ao Senhor Ministro Paulo Portas...

QUE PRESIDENTE?


Lembro-me bem do incentivo de Cavaco Silva às manifestações da sociedade civil, que ele considerava vitalidade. Lembro-me bem dos protestos arranjados pela oposição a Sócrates, sempre que algum dos governantes se deslocava a alguma localidade em visita oficial. Até me lembro de invasões inaceitáveis de reuniões partidárias.
 Lembro-me de fugas dos ministros e de trocas de saídas, mas não me lembro de qualquer Presidente da República ter cancelado uma visita oficial por saber que haveria contestação.
Não gosto deste tipo de tentativa de intimidação dos governantes. Nunca gostei, mas a liberdade de manifestação é total. Gosto ainda menos de um Presidente da República que se recusa a enfrentar os seus cidadãos.
publicado por Sofia Loureiro dos Santos
link do post

MANUEL ANTÓNIO PINA

M.A.Pina

Manuel António Pina, Prémio Camões, entrevistado hoje pelo jornal i.
Destaques: «Olhe que a certa altura [Sócrates] até me citou o Ruy Belo, e apropriadamente, com uma citação certa. / O único político que me lembro de me mostrar algum desagrado foi o Sampaio. / O mito da greve geral dos trabalhadores é mobilizador. O mito de uma sociedade sem classes também mobilizou milhões de pessoas ao longo da história. / Nós já nascemos como seres condenados à linguagem / Costumo dizer que há dois tipos de fotografias de escritores: ou com mão no queixo ou com livros atrás, e no meu caso é com gatos. / Eu espontaneamente só tenho opinião uma vez por ano, agora tenho de ter todos os dias porque ganho a vida assim. Nunca leio o que escrevi no dia seguinte, porque se o faço fico completamente frustrado. / [sobre Francisco José Viegas] Sou amigo dele, mas não acho que ele esteja a fazer um grande trabalho. Não gostei nada da história do Centro Cultural de Belém. Tive uma crónica escrita sobre isso, mas depois não a publiquei. / o Jardim sempre que cá vinha telefonava-me e queria almoçar comigo. Eu fiz a tropa com ele, sabe? Até dormíamos no mesmo beliche. / Os políticos tratam-me sempre bem. São umas putas velhasin Da Literatura

17 fevereiro 2012

De amor e de sombra



- Mulher, queres ver que nos roubaram o nosso país?
De amor e de sombra
Isabel Allende
Comprar outra vez um livro que já  tivemos e que se perdeu, é como tropeçar num velho amigo. Ou melhor, reencontrar alguém que já fomos.
Nem imagino qual seria a minha surpresa se, um dia destes, acabadinho de acordar, a caminho da casa de banho, eu lançasse um olhar maquinal ao espelho e descobrisse o meu próprio rosto com vinte anos.
E, um pouco em choque pela surpresa, havia de perguntar pela voz que me pareceria vir do espelho:
- Pá! Ainda és assim?
- Assim como? - respondia eu, a fingr-me desentendido.
O jovem de espelho abriria o De amor e de sombra.
- Lembras-te das últimas frases do livro? - e, sem esperar pela resposta lia: - «Sentiam-se pequenos, sós e vulneráveis, dois navegantes desolados num mar de cumes e núvens, num silêncio lunar...» Queres que continue?
- Hum-hum.

CAVACO SILVA FOGE...

 

Cavaco foge aos protestos na Escola António Arroio

O Presidente da República cancelou a visita à Escola António Arroio, onde centenas de estudantes o aguardavam em protesto contra a austeridade. Sem refeitório nem internet ou impressoras, os estudantes denunciaram também o aumento do preço dos passes nos transportes e dizem que Cavaco cancelou a visita por "cobardia".

Depois da vaia em Guimarães, Cavaco não arriscou visitar a António Arroio.
Depois da vaia em Guimarães, Cavaco não arriscou visitar a António Arroio. Imagens TVI

Esta era a primeira vez que Cavaco iria aparecer em ambiente público, após ter sido vaiado em Guimarães na abertura da Capital da Cultura 2012. Mas os duzentos estudantes da António Arroio que apenas quriam entregar a Cavaco um documento sobre a falta de condições na escola que ainda sofre obras de remodelação, foram considerados pelo Palácio de Belém como uma ameaça à segurança do Presidente.
  "Não temos condições, não temos passes, estão a cortar o nosso futuro", disse Inês, uma das estudantes da escola artística entrevistada pela TVI à porta da escola que há três anos não tem refeitório. "É uma escola especializada e temos de comprar gesso com o dinheiro que ganhamos na nossa feira de cerâmica", acrescentou a estudante. "Estamos a comer no chão todos os dias, porque o refeitório não está construído", afirmou outra estudante.
As reacções sobre a ausência de Cavaco, que anunciou o cancelamento após a visita da sua segurança pessoal à escola, foram um misto de desilusão e revolta. "Ele deve ter outras prioridades, ou se calhar não se quis deparar com a nossa desilusão", disse uma estudante inconformada com o facto do Presidente não aceitar receber um documento que prepararam sobre os efeitos dos cortes que estão a ameaçar a qualidade do ensino na única escola artística de Lisboa.
"É uma vergonha  não ter vindo deixando uma imagem de cobardia. Nós somos uma força e estamos a mostrar a nossa opinião. Eles estão a tentar amolecer o povo mas nós estamos com os olhos abertos e acordados e isso assusta-os ", disse outra estudante.


Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012


São tão bomzinhos


Pobres passam a ter acesso a refeições take away em 950 cantinas em todo o país. A ideia é que as pessoas em situação de pobreza, que querem manter o anonimato e hesitam em frequentar a tradicional "sopa dos pobres", possam levar para casa refeições já confeccionadas, gratuitas.

Não é fácil criticar as medidas que, de uma maneira ou outra, possam ajudar quem vive em aflição e desespero. Mas fácil é fazê-lo a quem as implementa se foram também os responsáveis pela pobreza em que essas pessoas foram atiradas. Quem se esteve absolutamente nas tintas pelo sofrimento que causaram, pelas vidas que destruíram, pelo desespero do desemprego e da fome. A caridadezinha que agora vêm mostrar não limpa a porcaria e a crueldade das medidas de austeridade que todos os dias atiram mais gente para a miséria. Estão a destruir futuro do país por muitos anos e não é assim que redimem as suas almas.

Cego, burro ou desonesto?


- A agência de notação Standard & Poor's baixou a nota a sete bancos portugueses. As instituições já estavam todas classificadas como "lixo".
- A agência de notação Moody’s baixou a nota de seis países europeus, entre os quais Portugal, Espanha e Itália, e colocou em perspectiva negativa a Áustria, França e Reino Unido.
O PIB português caiu 1,5% no ano passado face a 2010, em resultado de uma queda homóloga de 2,7% no quarto trimestre, segundo dados do INE. A forte queda do PIB no final do ano passado resulta sobretudo da queda da procura interna, “associado particularmente às diminuições mais expressivas do investimento e das despesas de consumo final das famílias”.
- Pedidos de ajuda de famílias em dificuldades quase duplicaram em Janeiro. Deco recebeu 2272 casos de sobreendividamento no primeiro mês de 2012, um aumento de mais de 90% face a Janeiro de 2011.
- A taxa de desemprego em Portugal atingiu um novo máximo em Dezembro e é já a terceira mais elevada entre os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), atingindo os 13,6%.

Podia continuar aqui a colocar noticias sobre a nossa economia que o quadro geral não se ia modificar muito. Portugal está em queda livre, esta politica já mostrou que em vez de travar só acelera essa queda. Quando já não puderem maquilhar a realidade é claro que a culpa vai ser da crise, mas eu digo que não é, a culpa é do sistema e só a sua mudança pode permitir o fim desta desgraça anunciada

MINISTÉRIO DA CARIDADEZINHA NACIONAL


Quinta-feira, Fevereiro 16, 2012


São tão bomzinhos


Pobres passam a ter acesso a refeições take away em 950 cantinas em todo o país. A ideia é que as pessoas em situação de pobreza, que querem manter o anonimato e hesitam em frequentar a tradicional "sopa dos pobres"

16 fevereiro 2012

UM BANDO DE CORSÁRIOS INVADIU O RECTÂNGULO...

                                                                              

Custe o que custar

O ministro Gaspar é ameaçado e reforça a segurança pessoal depois de ter transformado o seu ministério num bunker defendido por mais homens armados do que uma boa parte das instalações militares, o Presidente da República suspende a visita a uma escola por razões de segurança, o desemprego continua a subir em flecha e já vais nos 14% com 770 mil portugueses inactivos, o ministro da Economia é aconselhado pelos seus deputados a não ser ponderado, coisa que o homem dificilmente conseguirá pois é por natureza um destravado, a Moody’s admite baixar o rating de sete bancos portugueses num momento que a banca está em dificuldades. Se não fosse o José Castelo Branco a vestir de miss universo neste Carnaval a edição online do DN não nos permitiria um sorriso.
Ainda a procissão vai no adro e já se começa a perceber a dimensão do “custe o que custar”defendido por Passos Coelho. Mas ainda estamos muito longe de ter a noção real dos custos desta política de excessos voluntariosos adoptada por um governo que a coberto da crise financeira pretendeu governar sem limites constitucionais e promover a reinvenção em dois anos de um país que parece odiar.
O custe o que custar ainda está no princípio, a banca ainda não bateu no fundo, muitas pequenas e médias empresas ainda sobrevivem ligadas “à máquina”, algumas empreitadas de obras públicas ainda estão por concluir, alguns investimentos promovidos por empresas mais optimistas ainda estão em curso, as medidas mais gravosas como o corte dos subsídios, a nova lei das rendas, a actualização dos impostos sobre o património ou o aumento do IRS ainda não se fizeram sentir. O custe que custar será mais evidente quando os portugueses forem afogados por este verdadeiro tsunami de austeridade. Por agora ainda só se sente o efeito da alteração no comportamento por parte dos mais avisados e já é evidente uma contracção económica superior à estimada para 2012.
Mas se alguém imagina que o “custe o que custar” resultante desta orgia de liberalismo extremista tem limites que se desengane, este governo tem uma agenda que vai muito para além do programa encadernado a 100 euros por exemplar (“em papel couché semimate”, com uma capa em “tons de cinza-prata” e uma “ilustração em alto-relevo”) numa empresa amiga do partido, com um título pomposo e a recordar as publicações da Mocidade Portuguesa, “Compromisso para uma Nação Forte”.
Ainda faltam muitos pontos da agenda pessoal de Vítor Gaspar por concluir, a receita liberal que o país tem de engolir ée muito mais do que o equivalente a uma colher diária de óleo de fígado de bacalhau, é todo o frasco de uma vez. Ainda falta o despedimento em massa dos funcionários públicos, a privatização da segurança social para reanimar o sistema financeiro, mais um aumento das taxas da saúde, a desqualificação dos serviços médicos prestados a título gratuito, o aumento das propinas nas universidades e muitas outras medidas que permitam aproximar a sociedade portuguesa dos modelos mais liberais.
Se alguém imagina um governo preocupado com a crise económica que se desengane, o governo parece desejar o agravar das condições económicas, sem isso deixaria de ter cobertura para implementar o seu projecto, um verdadeiro golpe de Estado a coberto de uma troika formada por técnicos da mesma escola ideológica do ministro das Finanças. O custe que custar vai ser bem mais difícil do que muitos imaginam.

PUSILANIMIDADE & REDENÇÃO



Mário Soares, Simonetta Luz Afonso, Carvalho da Silva e mais 30 personalidades (entre elas o bispo D. Januário Torgal Ferreira), divulgaram um manifesto em apoio do povo grego. Inteiramente de acordo. Os signatários fazem notar o carácter pusilânime da expressão ‘nós não somos a Grécia’ — refrão do governo português.
Infelizmente, na Europa anda toda a gente a assobiar para o lado. Em Portugal nota-se mais porque enxotam a Grécia como quem enxota varejeiras.
Apesar do melindre da situação, Bruxelas adiou para o próximo dia 20 a reunião agendada para ontem que serviria para desbloquear o empréstimo de 130 mil milhões de euros. Não admira que Karolos Papoulias, Presidente da Grécia, tenha dito com firmeza: «Não aceito insultos ao meu país feitos pelo senhor Schäuble. Não aceito isso como grego. Quem é o senhor Schäuble para ridicularizar a Grécia? Quem são os holandeses? Quem são os finlandeses? Teremos sempre orgulho em defender não apenas a nossa liberdade, não apenas a liberdade do nosso país, mas a liberdade de toda a Europa.» Nem mais.
Faz-me muita confusão que um homem como Mario Monti ainda não tenha ido a Atenas marcar posição.
Uma vez que os governantes europeus se demitiram das suas responsabilidades, gostava de ver Mário Soares — um homem que a Europa conhece e respeita — repetir o gesto de Kennedy em Berlim, defronte do Muro, em 26 de Junho de 1963: Ich bin ein Berliner. Soares tem gravitas para o fazer. Não abria os cordões à bolsa do gang Merkozy, mas ajudava a resgatar a honra perdida de Atenas.
[A foto de Simela Pantzartzi mostra o presidente grego, Karolos Papoulias, ontem, rodeado de militares. Péssimo agouro! Se o pior acontecer, terá sido Bruxelas a premir o gatilho.]

in da literatura


    'É bem conhecida a tentação ‘revisionista’ de condicionar não apenas a arte futura mas também a arte do passado, podando-a dos aspectos ‘incorrectos’. Morris foi obrigado a substituir o cigarro de Lucky Luke por uma palha ao canto da boca, em nome do antitabagismo, e não me espantaria que, por obra de efeitos especiais, Humphrey Bogart aparecesse um dia destes a cortejar Ingrid Bergman de chupa-chupa na mão. Com a legitimidade de quem abandonou quatro maços de tabaco diários há mais de dez anos, dispenso uma tal ‘actualização’ artística.Perante todas estas investidas contra a liberdade de expressão e de criação artística, devemos recordar uma lição importante. A luta contra o racismo e a xenofobia envolve medidas políticas de natureza variada, que não se confinam ao plano penal e mesmo jurídico em geral. Porém, só o incitamento intencional à discriminação pode legitimar restrições à liberdade ou a criação de crimes. É esse o sentido da Decisão-quadro de 28 de Novembro de 2008 do Conselho da União Europeia e também do artigo 240º do Código Penal, na versão dada pela reforma de 1998.'

GREGOS E TROIKANOS

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012
GREGOS E TROIKANOS
Estamos gregos para agradar aos troikanos.


Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012
À DERIVA
Os olhos da UE são os olhos da Senhora Merkel: inexpressivos, sem sedução e sem brilho. Não fitam nem alcançam um horizonte.
sinto-me pirata:
tags: ,


O HOMEM QUE COMIA BOLO-REI COM A BOCA ESCANCARADA
Prof. Martelo, é legal um cidadão que come bolo-rei com a boca toda escancarada ser Presidente da Republica? É! Sabe, eu sei a quem se está referir: quando o cidadão de que fala, se candidatou a PR, foram levantadas algumas dúvidas em termos de legalidade constitucional. E o cidadão em causa pediu-me um parecer jurídico sobre a matéria.
 Mas...não me diga Prof.. que lhe arranjou um parecer favorável? Digo digo! Então o meu amigo não sabe que o cliente têm sempre razão?! Pois pois, estou a ver Prof. !... E isso é correto Prof.? Não! Mas pode-se fazer?... Pode!
É assim, que num país da periferia da Europa, o homem que comia bolo-rei com a boca escancarada, se tornou Presidente da Republica.
O periférico presidente que é também o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, lamentou há dias publicamente que a sua esposa recebia de pensão uns míseros oitocentos euros. E disse ainda, que a pobre coitada, dependia dele. Infeliz senhora. E olhem que a infelicidade da senhora que é esposa do homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, não o é, pelo facto de receber de pensão qualquer coisa como oitocentos e poucos euros; que é qualquer coisa como dois ordenados mínimos no país do qual é presidente o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, que é coisa que pasme-se: ele precisa que lhe digam, pois não sabe. A maior infelicidade da infeliz senhora é a sua dependência. Todas, ou quase todas as dependências, mais tarde ou mais cedo dão para o torto. Mas a pior e insustentável infelicidade de um ser humano é o seu sustento depender de outrem. E a suprema humilhação é: quando quem a sustenta se lamenta publicamente por esse facto.
Não vou aqui emitir opiniões sobre o que disse o homem que comia bolo-rei com a boca escancarada e a sua declaração de rendimentos: preocupa-me mais a infelicidade de um povo não ter memória e eleger e reeleger para seu presidente o homem que comia bolo-rei com a boca toda escancarada, sabendo que lhe calha a fava.

P'RÓS CONTRAFORTES DA SERRA DA ESTRELA COM ELES... JÁ!!!

Freitas

O que seria realmente interessante era aprovar uma lei que fizesse com que alguns deputados do CDS, pouco representativos e muito cheios de si, pudessem ser deslocados do Palácio onde habitam com as maiores mordomias, para os contrafortes da Serra da Estrela onde seriam tão úteis como aquilo que a maior parte da população portuguesa entende que eles são.
Principalmente se forem deputados para quem "democrata" nada tem a ver com o povo que eles alegadamente representam e "cristão" significar "papa-hóstias" e não "humanidade e respeito pelo próximo".
A arrogância destes badamecos que nunca fizeram nada pelos outros a não ser o jogo da politiquice há-de mandá-los para o sítio de onde nunca deveriam ter saído.
Nota: Diz-nos a biografia deste nosso representante que ele é também Representante da European Foundation for Human Rights and Family na III UN Conference on The Least Developed Countries

INFERNO MADE IN GERMANY


O economista Daniel Gros revelou há dias um número relevante: apesar da violenta austeridade imposta à Grécia nos últimos dois anos e da recessão profunda em que o país se encontra - 16 trimestres consecutivos a perder riqueza e ainda a seguir para bingo -, os gregos só têm dinheiro para sustentar 80% do seu nível de vida. O resto, os 20% que seriam precisos para manter o país a funcionar, tem de ser financiado através de empréstimos no exterior, já que não há poupança nem recursos internos para compensar o desequilíbrio, mas hoje esse capital já não existe. Fugiu.
Ou seja, a seguir a este novo pacote que está a ser negociado a custo com a troika, se nada de extraordinário mudar na Zona Euro, a Grécia terá de continuar indefinida- mente ligada à máquina e a viver às pinguinhas. Os gregos acabam, portanto, de entrar no quinto ano de recessão, mas já perceberam que têm pela frente mais um interminável período de empobrecimento profundo, enxovalho político e cultural - made in Germany - e um doloroso drama social que envergonhará a Europa durante muitos anos.
Com o desemprego a atingir 47,2% dos jovens - um em cada dois! - e 19% entre do resto das pessoas, é simples perceber a dimensão humana da catástrofe a que os portugueses e os outros europeus assistem sem grandes inquietações, exceto o terrível pavor de que a maré também acabe por engoli-los. Desde o início da crise da dívida soberana, a atitude tem, aliás, sido sempre a mesma em Portugal, na Irlanda, em Espanha e agora também em Itália: os gregos são um povo amigo, mas para manter patrioticamente à distância, como se fazia com os leprosos.
Compreende-se a necessidade de Passos Coelho, Mariano Rajoy e outros tantos fugirem a sete pés da comparação grega para continuarem fiéis ao diktat alemão e, assim, permanecerem ligados a um ténue fio de esperança. No entanto, chegados a este ponto dramático na vida de um povo, é obrigatório ser um pouco mais corajoso. O ciclo de miséria grega e a sua rota interminável têm-se agravado pelos inúmeros falhanços orçamentais e políticos internos, é inegável, mas também pelo obscurantismo financeiro alemão que se perpetua graças à fragilidade (cobardia) dos outros países.
A troika falhou na Grécia. Fez mal as contas. Não emprestou dinheiro suficiente. Fê-lo por um período ridiculamente curto (três anos, como exige o FMI). Calculou mal o efeito recessivo e a espiral negativa. E definiu objetivos financeiros e económicos surreais. A Grécia já não é um país, é um laboratório onde jaz um Estado (quase) falhado. Kaputt, dirá um dia a sr.ª Merkel enquanto nós, com sorte, seguiremos a nossa vidinha.

 
PATROCÍNIO
9544Visulzações
38Impressões
40Comentários
11Envios

POVOS E CIRCUNSTÂNCIAS




Rapto de Europa – Gustave More

Europa é nome de mulher. Mas, curiosamente, Europa não era europeia. Europa, a mulher por quem Zeus se encantou, era uma princesa fenícia, ou seja, da região do Líbano. O que significa que Europa era, na verdade, asiática. Além de mulher e estrangeira, Europa foi violada e sequestrada, e trazida para a ilha de Creta.
Foi desta história pré-moderna (que parece pós-moderna) que nasceu a ideia de Europa. Nasceu na Grécia, em grego, mas olhando o continente a partir de fora. Só assim poderia ser. Certamente que as tribos que nessa altura povoavam o centro do continente não se perguntavam que coisa era a Europa, nem sequer se existia. Só para os navegantes do levante, que estavam na encruzilhada entre três continentes, fazia sentido dizer “ali é da banda da Ásia”, “ali é da banda de África” e “aqui é a Europa”.
De cada vez que ouço alguém dizer “nós não somos a Grécia”, agora penso — “e é por isso que não somos europeus”. Claro que nós não somos gregos, nem estónios, nem bávaros. Isso é tão claro que, em geral, não precisaríamos de o dizer. A insistência, a obsessão em não ser “como os gregos” quer apenas dizer que os europeus já não se reconhecem uns aos outros.
Ainda há poucos anos, dizia-se que tínhamos aqui um belo continente, com alto nível de desenvolvimento económico e social. A Europa é uma ilha de prosperidade, ouvia-se dizer aos mercadores de banalidades, que para nos distinguir dos outros (dos “árabes”, dos “muçulmanos”) insistiam na nossa herança comum helénico-romana e judaico-cristã. Supostamente, éramos todos cristãos e ocidentais e portanto nada podia correr mal: o sucesso estava na nossa cultura. Agora, os mesmos mercadores de banalidades dizem que a Grécia é “incapaz de se reformar” ou que não tem uma “cultura de eficácia”.
Todos os dias ouço ou leio uma nova explicação culturalista para explicar por que não deveria a Grécia ter entrado no euro. No fundo, os gregos não estavam preparados, ou tinham uma deficiência qualquer congénita, deve ser isso. O que me assusta nestas explicações mal amanhas e inventadas à pressa é como elas são desculpas para evitar ver tudo o que estava errado no desenho do euro.
Diz-se que o euro não deveria ter sido feito para “economias tão diferentes” incluindo as daqueles depreciados países que não conseguem crescer. Esquece-se, em primeiro lugar, que nenhuma moeda tem que ser feita para economias que são todas iguais: o dólar não serve à bolsa de Nova Iorque e aos campos do Alabama? o real não serve às empresas de São Paulo e aos vendedores ambulantes da Amazónia? Em segundo lugar, evita-se pensar que uma razão por que não crescem estes depreciados países como Portugal e a Grécia é talvez porque o euro, da maneira que está, não os deixa crescer.
Assim como está, é mais fácil lançar as culpas nos gregos — por serem como são. E nós, portugueses, jogamos esse jogo. Até um dia, surpreendidos, virmos que nos dizem o mesmo.
Ora nem os gregos, nem os portugueses, nem os alemães “são como são”. Todos os povos são eles e as suas circunstâncias.
É por isso que, nas circunstâncias atuais, deveríamos dizer: sim, somos como os gregos. E nós e os gregos somos tão europeus como os alemães. Sim, é verdade: temos uma dívida insustentável. A dívida é nossa, portuguesa; mas o problema é nosso, europeu, e só nesses termos europeus se pode resolver. Que fique bem claro: não há maneira de nos tirar do euro nem de nos expulsar da União.
Rui Tavares