03 setembro 2011


Das "fantásticas" justificações do João Jardim para o "buraco" no défice já nem vamos falar, mas sim de que, mais uma vez, alguém nos anda a mentir. Quando por cá andou a Troika, afirmaram ter descoberto na Madeira um buraco de 223 milhões para agora, quando a União Europeia descobriu que afinal já vai nos 500 milhões, vir o Passos Coelho dizer que esse valor do buraco já era conhecido e até já tinha aumentado uns impostos para o tapar. Quando mentiu o Passos Coelho?, quando confirmou o buraco de 223 milhões ou agora quando disse que já sabia, desde sempre, que era de 500 milhões? O que parece certo, é que, sejam lá quantos milhões forem quem os vai pagar somos nós com mais um imposto. Que o Passos Coelho não queira fazer frente ao desbocado Bicho da Madeira, sobretudo em tempo de Eleições Regionais até podemos compreender, mas que nos obrigue a pagar a nós pela sua falta de coragem e por interesses meramente partidários já não se pode aceitar. Este é um caso em que não há desculpas possíveis...

PACHECO PEREIRA

Como o martelo pilão

• José Pacheco Pereira, O artigo de regresso [hoje no Público]:
    ‘Não tem de facto qualquer sentido achar que Portugal foi beneficiado por um plano de "ajustamento" (um eufemismo irónico) mais compatível com o crescimento económico do que o grego e depois destruir a vantagem comparativa numa passagem do oito para o oitenta. Cumprir com zelo o programa da troika é fundamental. Como ninguém controla com rigor a execução orçamental, admito que nesse zelo se inclua "ir mais longe do que a troika" para haver folga para os "buracos". Mas, atenção, duplicar as medidas da troika e aplicá-las no estilo martelo pilão numa espécie de volúpia de impostos, ou pior ainda, como se verá, através de cortes estatísticos, ou seja às cegas, tem um efeito destrutivo muito para além da recessão de dois anos prevista pelos optimistas".

ANTÓNIO PINGO DOCE - COMPADECIDO




António Barreto defende alargamento do prazo do acordo com a 'troika'
- O sociólogo António Barreto defendeu hoje o alargamento do prazo do acordo com a "troika", considerando que os resultados a prazo seriam os mesmos, mas com menos esforço e violência para os portugueses.
"Estou convencido, sem ser especialista em economia, nem em finanças, que o que está a ser exigido a Portugal, aos portugueses, em três anos, deveria ser feito em cinco anos ou seis, porque daria os mesmos resultados e com um pouco menos de violência, de esforço", afirmou António Barreto, em declarações aos jornalistas no final de um almoço na Universidade de Verão do PSD, que decorre em Castelo de Vide até domingo.
Retomando o discurso feito durante o debate com os alunos da Universidade de Verão do PSD, António Barreto admitiu que o Governo poderá estar a querer ir ainda mais longe do que aquilo que foi acordado neste primeiro ano, para depois "poder dilatar o caminho a seguir e, em vez de serem mais dois anos, serem mais três ou quatro".
 "Este programa pode dar efeitos, pode ser menos violento, pode ser menos ríspido com a sociedade se isso for feito em cinco anos, seis anos, os resultados a prazo serão tão bons ou melhores do que assim", tinha defendido o sociólogo durante o debate com os alunos da Universidade de Verão do PSD.
Questionado se entende que já se chegou ao limite do que pode ser pedido à classe média, António Barreto recusou a ideia de uma "classe média transformada numa espécie de sofredora número um", apesar de admitir que "talvez não haja equidade".
Contudo, frisou, o que é essencial nos próximos anos é a atração de investimento e, nesse sentido, deve ser feito "tudo sem exceção para atrair investimento".
Ainda durante o almoço, e em resposta a uma pergunta dos alunos, António Barreto admitiu a possibilidade de virem a ocorrer convulsões na sociedade portuguesa, embora a prazo.
"Não é para amanhã, não é para depois", notou, reconhecendo, porém, que "há risco a prazo maior de alterações importantes".
O Estado português negociou com a "troika" internacional, constituída pelo Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, uma ajuda externa ao país no valor de 78 mil milhões de euros.

A TRAGÉDIA MADEIRENSE

EXPLICAÇÕES DO GASPAR

A explicação patética de Vítor Gaspar para o famoso "desvio colossal", expressão que lhe agradava em especial segundo o mesmo afirmou, ficará para a história deste governo, não só pela forma ridícula como o ministro a fez mas porque a Comissão Europeia confirmou e os portugueses perceberam que entre "desvio" e "colossal" o que existia é o Atlântico que separa o "contenente" e a ilha tropical do Alberto João.Percebe-se agora porque o tal desvio colossal que serviu para roubar o subsídio de Natal aos portugueses não era explicado nem foi ventilado nas sucessivas execuções orçamentais, insinuou-se uma derrapagem nas contas que não seria da responsabilidade do actual governo, adoptou-se um aumento dos impostos e hoje os portugueses percebem que foram ludibriados pela aparente ingenuidade do ministro. Havia mesmo um desvio que foi mascarado para que os portugueses não percebessem que estavam a ser sacrificados para financiarem os desvarios financeiros dos madeirenses.
«O défice público nacional deste ano vai sofrer um desvio por causa do bicho da Madeira, não de 277 milhões de euros como disse a troika a 12 de Agosto mas sim de 500 milhões, revelou fonte oficial da Comissão Europeia.
Hoje, o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, levantará o véu sobre os futuros sacrifícios a pedir aos portugueses, sabendo já que a situação financeira ruinosa de uma empresa detida pelo Governo Regional madeirense e a extinção de uma sociedade que promovia obras rodoviárias em regime de parcerias público-privadas (PPP) são responsáveis por um agravamento do défice nacional equivalente a 0,3% do produto interno bruto.»
[DN]
 

PÉ ANTE PÉ PARA O RAIO QUE OS PARTA

"Estas medidas põem o país a pão e água. Não se põe um país a pão e água por precaução."
"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."
"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."
"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."
"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."
"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."
"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."
"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."
"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."
"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."
"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."
"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."
"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."
"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."
"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."
"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."
"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."
"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"
"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."
"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."
"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"
 Conta de Twitter de Passos Coelho (@pedropassoscoelho), iniciada a 6 de Março de 2010. O último tuite transcrito é de 5 de Junho de 2011
 rectificação: a conta de passos coelho é @passoscoelho e não, como por lapso refiro no dn, '@pedropassoscoelho'.
 e nova rectificação: o último tuite transcrito por mim é de 1 de junho -- e, ao contrário do que pode ser o entendimento de quem lê, não é o último tuite citado no texto, mas o último em ordem cronológica. querendo ser mais precisa, criei a confusão, pelo que peço desculpa aos leitores.
 por qualquer motivo, confundi 1 de junho com 5 de junho, o que é duplamente idiota, já que nem poderia, em princípio, haver tuites de passos coelho a 5 de junho, por um motivo simples: tratou-se do dia das eleições. mais uma vez, as minhas desculpas.
 também no dn a nota final foi rectificada.

ESPIONAGENS

Sábado, Setembro 03, 2011



REGIÃO DEMARCADA


Parece que, no Verão do ano passado, os serviços secretos portugueses andaram a escutar o telefone do jornalista Nuno Simas, que então estava no Público e agora está na Lusa. A divulgação pública dos rumores não foi inocente: a guerra entre a Impresa e a Ongoing ameaça ultrapassar o nível de corrosão da guerra entre a Impresa e a Sonae em 1989-90. Nuno Vasconcellos, patrão da Ongoing, titular de mais de 20% do capital da Impresa (contra a vontade de Pinto Balsemão), tem ao seu serviço antigos espiões. E daí? O que é extraordinário é ver jornalistas com tarimba embarcar numa guerra com interesses demarcados.
Serve o intróito para explicar a amigos e leitores que me têm escrito sobre o assunto — Não dizes nada? / O tema não o incomoda? — que, de facto, a coisa não me comove. Não lemos (anos a fio) impunemente Graham Greene e John Le Carré. Por outro lado, eu ainda não tinha 22 anos quando um inspector da Pide e a Polícia Militar se permitiram devassar correspondência minha, privada, apreendida de forma ilegal em nome da “segurança” do Estado, para sinalizar e reprimir homossexuais dos três ramos das Forças Armadas. OK. Estamos a falar de 1971. E nem sequer estamos a falar de Portugal, dirão os cínicos. Sim, os factos reportam a Moçambique e ao braço colonial da ditadura envergonhada de Marcelo.
Em Portugal e em toda a parte muita gente é escutada, em particular diplomatas, cientistas, magistrados e jornalistas. Nas democracias, as escutas viram fichas e afinam os perfis dos visados. Nos regimes não-democráticos (o vasto mundo) têm como corolário a cadeia e um cortejo de infâmias. Em Portugal, em 2002, segundo a imprensa da época, nunca desmentida, cinco mil pessoas estavam sob escuta. Porquê a comoção com Nuno Simas? Por ser jornalista? Porque o seu interlocutor era (diz a Sábado) Miguel Relvas? Porque os factos reportam à Era Sócrates?


 


Vasco Pulido Valente, A independência da Madeira, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:

«Num areal de Porto Santo, Alberto João Jardim, de chapéu e tronco nu [não negou que a] Madeira devia ao Estado central 500 milhões de euros. Jardim não negou a dívida, cuja existência não o perturba. O que ele acha imperdoável e provocatório é que lhe peçam o dinheiro e, pior ainda, que se fale nisso em véspera de eleições. Num mundo bem organizado, ninguém se atreveria a incomodar o sereníssimo soberano [...]

Este conflito teórico dura há trinta e cinco anos, sem um resultado visível. Chegou por isso a altura de aproveitar a crise para o resolver. O PS, o CDS e o PSD, em vez de perderem tempo com eleições, podiam perfeitamente organizar um referendo sobre a independência da Madeira. Com certeza que o eleitorado do continente, em troca de não lhe pagar as contas, não negaria ao sr. Jardim a liberdade de se arruinar como ele quisesse e de fazer uma constituição que ele aprovasse (como não aprova a nossa). E com certeza que o eleitorado da Madeira (com a presumível excepção de Vicente Jorge Silva) não negaria ao simpático Jardim o privilégio de gastar tudo o que lhe apetecesse e de combater a Maçonaria e a internacional socialista com o seu espírito borbulhante, até agora contrariado e contido pelos conspiradores de Lisboa. [...]»

O MINISTRO QUE FALAVA BAXINHO



O ministro Vítor Gaspar é um caso: é original. Estamos pouco habituados ao género. Percebeu, não sei se por truque ou se já veio assim de fábrica, que a maneira mais forte de falar é com voz baixa. E tem um tom monocórdico que, estranhamente, não é um apelo à sesta, sobretudo quando actua nas comissões parlamentares (nas conferências de imprensa, outro dos seus palcos, não brilha tanto). Entre deputados de voz colocada e tiradas de belo efeito, o seu contraste, com o tal fio de voz, causa tanto alvoroço como aos médicos e enfermeiros o risco sem picos de um coração que deixou de bater numa sala de operações. Vítor Gaspar fala baixinho e eu acordo. Acresce que além dessa forma de falar ele usa a ironia como não se está habituado ouvir num especialista dessa seca que são as Finanças. A dado passo, ontem, Vítor Gaspar disse: "Perdoem-me se falar um pouco mais devagar do que habitualmente." Claro que só apurou ouvidos. A um deputado que definiu Portugal como "protectorado", ele suspirou: "Protectorado... Eu escolhia antes dizer que vivemos uma situação de guerra contra a tirania da dívida." Pareceu que ponderava a justeza da palavra do adversário e varreu-a com uma frase tanto mais eficaz quanto sussurrada. A outro, que brincava com "milagre e mistério" das suas medidas, agarrou no alvitre: "Sim, fico por essa definição: milagre e mistério." Na hora do balanço saberemos se trabalhou bem ou não. Para já, é um caso.DN Por Ferreira Fernandes

PORQUE É QUE ESTA GENTE NÃO SE FAZ DESAPARECIDA?

«O antigo ministro João de Deus Pinheiro defendeu hoje um aumento da idade da reforma, a diminuição da “generosidade das pensões” e o crescimento das contribuições para a Segurança Social, sublinhando que os custos são neste momento “incomportáveis”.» Se todos tivessemos uma generosa pensão como a dele, na idade em que ele a teve e contribuido como ele contribuiu para a Segurança Social acredito que todos aceitariamos de bom grado.
Porque é que esta gente não se cala, não se faz de "desaparecida" e fazem os seus joguinhos de golfe em privado? Respeitem pelo menos aqueles que trabalharam no duro durante toda uma vida para agora subsistirem com pensões de miséria. Há gente que  mete nojo!...

O PSD E SEUS QUADROS ESTÃO A PEDIR UMA VARRIDELA

Um dia destes, o antigo ministro João de Deus Pinheiro defendeu um aumento da idade da reforma e a diminuição da “generosidade das pensões”.
Esta ideia do “bon vivant” João de Deus Pinheiro, mereceu largo apoio do povo, como se pode verificar nesta manifestação espontânea realizada algures por aí no espaço europeu e como certamente se irá verificar em futuros actos eleitorais realizados em Portugal!..
Fica a tradução do que diz o cartaz empunhado pelo manifestante
:                                                                               
"Reforma aos 67? Por que não 69 enquanto se faz amor!!"
O verdadeiro PSD está a reaparecer em todo o seu esplendor...

ESTE GOVERNO SERÁ MESMO UMA AMEAÇA?

Uma coisa é controlar a despesa, outra bem diferente é brincar com o fogo” 
• Pedro Adão e Silva, UMA GRANDE TRANSFORMAÇÃO [hoje no Expresso]:
    ‘Em Portugal, onde o Governo não esconde a ambição de ir além da troika, a rutura só poderá ser mais intensa. Uma coisa é o necessário controlo da despesa, outra, bem diferente, é, com esse pretexto, brincar com o fogo, promovendo um enfraquecimento da comunidade e um diminuição da soberania. Como lembrava Helena Garrido esta semana no “Jornal de Negócios”, “Portugal tem de existir”. Eis dois exemplos que vão ter efeitos irreversíveis e que são, de facto, ameaças à existência de um país soberano, assente numa comunidade de pertença. O primeiro é a construção de um Estado Social de mínimos, dirigido aos mais pobres. Desde o ‘passe social’ com descontos ultraexclusivos à ASAE ter deixado de inspeccionar lares e creches de IPSS, passando pelo que se anuncia no acesso à saúde, abundam os exemplos em que do excesso de gratuitidade se evoluiu para uma retirada de benefícios às classes médias-baixas. Esta opção esquece que os direitos sociais fazem parte do código genético da nossa democracia e que são um mecanismo de legitimação política. Pura e simplesmente não existem democracias sem integração das classes médias. O segundo é um programa de privatizações que aliena uma fatia importante do que resta da nossa soberania. Vender ao desbarato empresas do sector energético ou das águas não é comparável com o processo de privatizações que ocorreu nos anos oitenta – e que obedeceu a uma necessária liberalização – é, sim, uma ameaça à independência do país, sem que se vislumbrem vantagens. Se este Governo fizer o que, levado pelas suas ilusões ideológicas pueris, ameaça, daqui a uns anos saberemos qual é a diferença entre ter uma comunidade que forma um país ou termos um conjunto de indivíduos e famílias.’

A ÚLTIMA DE PASSOS

Abril em Setembro




Marcelo CaetanoPassos Coelho gosta de dizer coisas. Não sei se é por isso que o seu MNE, que também sempre gostou de dizer coisas, anda desaparecido atrás dele, uma vez que as coisas que Passos e o seu Ministro dos Impostos dizem, não se coadunam com o que Portas sempre disse e repetiu por todas as feiras e praças onde comprou bonés à Alberto João. Adelante!
A última de Passos é a de que o processo líbio é uma espécie de nosso vinte-e-cinco-do-quatro. Perdoe-se-lhe a calinada. Abril já foi há muitos anos e julgo que o nosso PM andaria então de calções a jogar à bola na rua, pelo que lhe passaram algumas coisas ao lado e, como depois disso teve de se dedicar à sua caminhada do poder, não teve tempo para se informar sobre a História contemporânea portuguesa. Também não será por aí que virá o mal ao Mundo, até porque para ele a maldade já cá está há muito, umas vezes disfarçada de mafarrico-beirão e outras de socialista.
Sabendo que alguns assessores, consultores, conselheiros, especialistas, adjuntos, ou lá o que são, do nosso PM passam pelas cadeiras desta espelunca, peço-lhes encarecidamente que lhe desenhem um boneco explicativo da coisa que em Abril de 74 se passou por cá demonstrando-lhe, por exemplo, que Marcelo Caetano, não tendo sido propriamente um democrata, também não foi um terrorista e que a revolução portuguesa foi feita por militares nacionais fartos de embarcarem para as colónias e não por grupos de civis que só conseguiram a vitória por lhes ter sido imposta uma força internacional que bombardeou, durante meses, o quartel do Carmo.
Sabemos, é verdade, que Portas e Kadaffi partilham o mesmo amor pelo Forte de São Julião, mas até o montar da tenda foi diferente... 
Da Barbearia do Senhor Luis

JARDIM E A MADEIRA - JÁ NÃ HÁ PACHORRA


Vasco Pulido Valente, A independência da Madeira, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:
«Num areal de Porto Santo, Alberto João Jardim, de chapéu e tronco nu [não negou que a] Madeira devia ao Estado central 500 milhões de euros. Jardim não negou a dívida, cuja existência não o perturba. O que ele acha imperdoável e provocatório é que lhe peçam o dinheiro e, pior ainda, que se fale nisso em véspera de eleições. Num mundo bem organizado, ninguém se atreveria a incomodar o sereníssimo soberano [...]
Este conflito teórico dura há trinta e cinco anos, sem um resultado visível. Chegou por isso a altura de aproveitar a crise para o resolver. O PS, o CDS e o PSD, em vez de perderem tempo com eleições, podiam perfeitamente organizar um referendo sobre a independência da Madeira. Com certeza que o eleitorado do continente, em troca de não lhe pagar as contas, não negaria ao sr. Jardim a liberdade de se arruinar como ele quisesse e de fazer uma constituição que ele aprovasse (como não aprova a nossa). E com certeza que o eleitorado da Madeira (com a presumível excepção de Vicente Jorge Silva) não negaria ao simpático Jardim o privilégio de gastar tudo o que lhe apetecesse e de combater a Maçonaria e a internacional socialista com o seu espírito borbulhante, até agora contrariado e contido pelos conspiradores de Lisboa. [...]
por Eduardo Pitta  url

EM QUE PARTIDO TERÃO VOTADO OS PROFESSORES?

Os professores ainda não reiniciaram as manifestações?
devem ter alguma vergonha...
Em quem votaste no dia 5 de Junho?
O governo de Sócrates ficará para a história como aquele que reuniu mais gente na tentativa de o derrubar. Nunca um governo foi tão odiado pela esquerda conservadora, foi tão torpedeado pela aliança entre magistrados e jornalistas, tão combatido pelos patrões da comunicação social ou tão rejeitado por alguns grupos corporativos, designadamente os professores...
Passados pouco mais de dois meses e com as políticas agendadas para os próximos dois anos começa a ser tempo de perguntar a muita gente se está contente, se sente que o seu voto teve resultado. É evidente que muita gente esconde a sua cobardia e mesmo arrependimento atrás do secretismo de voto, se perguntarmos a muitos professores que fizeram campanha activa contra o governo de Sócrates responder-nos-ão agora que o voto é secreto.
Um bom exemplo do sentimento colectivo que começa a ser perceptível, são exactamente os professores começando pelo grande líder da hipocrisia, o sindicalista profissional Mário Nogueira. Quando Sócrates iniciou um programa de encerramento de escolas preocupado com a qualidade de escolas pequenas e sem recursos foi um ai Jesus, veio tudo em defesa da escola pública, agora que essas mesmas escolas foram encerradas com o objectivo de despedir professores o Mário Nogueira apoiou, os autarcas calaram-se e os blogues dos professores assobiaram para o ar.
Quantos professores que  eram contra qualquer avaliação e se queixavam do excesso de burocracia estarão agora no desemprego graças ao aumento do número de alunos por turma e da eliminação de algumas áreas curriculares? Pois é, agora vão perder muito mais tempo a preencher fichas de emprego do que dantes perdiam com a tal avaliação que era muito burocrática e, pelos vistos, a escola pública e o Mário Nogueira passa bem sem eles.
daqui

REPÚBLICA DAS ESCUTAS...




                                                                               

Parece que, no Verão do ano passado, os serviços secretos portugueses andaram a escutar o telefone do jornalista Nuno Simas, que então estava no Público e agora está na Lusa. A divulgação pública dos rumores não foi inocente: a guerra entre a Impresa e a Ongoing ameaça ultrapassar o nível de corrosão da guerra entre a Impresa e a Sonae em 1989-90. Nuno Vasconcellos, patrão da Ongoing, titular de mais de 20% do capital da Impresa (contra a vontade de Pinto Balsemão), tem ao seu serviço antigos espiões. E daí? O que é extraordinário é ver jornalistas com tarimba embarcar numa guerra com interesses demarcados.
Serve o intróito para explicar a amigos e leitores que me têm escrito sobre o assunto — Não dizes nada? / O tema não o incomoda? — que, de facto, a coisa não me comove. Não lemos (anos a fio) impunemente Graham Greene e John Le Carré. Por outro lado, eu ainda não tinha 22 anos quando um inspector da Pide e a Polícia Militar se permitiram devassar correspondência minha, privada, apreendida de forma ilegal em nome da “segurança” do Estado, para sinalizar e reprimir homossexuais dos três ramos das Forças Armadas. OK. Estamos a falar de 1971. E nem sequer estamos a falar de Portugal, dirão os cínicos. Sim, os factos reportam a Moçambique e ao braço colonial da ditadura envergonhada de Marcelo.
Em Portugal e em toda a parte muita gente é escutada, em particular diplomatas, cientistas, magistrados e jornalistas. Nas democracias, as escutas viram fichas e afinam os perfis dos visados. Nos regimes não-democráticos (o vasto mundo) têm como corolário a cadeia e um cortejo de infâmias. Em Portugal, em 2002, segundo a imprensa da época, nunca desmentida, cinco mil pessoas estavam sob escuta. Porquê a comoção com Nuno Simas? Por ser jornalista? Porque o seu interlocutor era (diz a Sábado) Miguel Relvas? Porque os factos reportam à Era Sócrates?

por  Eduardo Pitta  url 

02 setembro 2011

A PILHAGEM DA CLASSE MÉDIA

                                                                                   

Aquilo a que temos assistido e que vamos continuar a assistir enquanto os portugueses o permitirem é a uma pilhagem fiscal da classe média, é como que se uns bárbaros da direita tivessem invadido o país e de seguida pilhassem as famílias da classe média uma a uma. Chamar a isto política económica é uma ofensa às escolas de economia, esta política não tem qualquer objectivo de bem-estar, apenas visa reequilibrar as contas públicas de forma preguiçosa, isto é, sacrificando os do costume.  Cambada de filhos da mãe com o cínico colossal do Gaspar como porta-voz
Até agora não se assistiu a qualquer corte na despesa e a única extinção anunciada não é nenhum dos famosos institutos ou fundações que dão emprego aos oportunistas, são instituições que existem há centenas de anos e cuja extinção ou fusão apenas contribuirá para facilitar a evasão fiscal. Nada se faz contra a evasão fiscal, promove-se o sacrifício fiscal dos que não se podem escapar aos impostos e desestabilização a administração fiscal com um processo de fusão que não poupará mais do que meia dúzia de milões de euros, cem vezes menos do que o desvario orçamental do Alberto João.
Não vale a pena tributar os ricos porque eles fogem, não se eliminam despesas intermédias porque aí está o ganha-pão de muitas empresas que há décadas que vivem da corrupção e alimentam os aparelhos partidários, não se eliminam institutos e fundações inúteis porque dão jeito na hora de empregar as hordas de boys, não se combate a economia paralela porque os sacos azuis das empresas alimentam os sacos azuis dos políticos, resta pilhar a classe média.
Os ricos não estão a ser penalizados? Engana-se a populaça e cria-se um imposto adicional sobre os que ganham mais do que um determinado montante para dar a ilusão de se estarem a sacrificar os mais ricos, para que não se tenham dúvidas até se retiram alguns benefícios fiscais. Cobra-se um imposto adicional durante dois anos sobre a classe média alta e poupa-se o património dos mais abastados, muitos dos quais entregam declarações de rendimentos dignas de indigentes.
 O ministro quer reequilibrar as contas rapidamente e a qualquer custo, portanto, não pode esperar pelos resultados da evasão fiscal, não pode esperar um ano pelas receitas do IRC, não pode arriscar em impostos vulneráveis à evasão fiscal numa altura em que está a destruir a administração fiscal, resta-lhe pilhar os do costume e esses são os mais pobres e a classe média é forçada a suportar em dois anos o que poderia ser distribuído por mais tempo e por todos.
Esta pilhagem da classe média terá consequências sociais que um ministro que daqui a dois anos voltará para o seu estatuto privilegiado em Bruxelas ignora ostensivamente, é a classe média que sustenta a economia interna, que fornece os quadros qualificados, que cria as pequenas e médias empresas mais qualificadas, que fornece uma boa parte da inteligência às nossas universidades. Uma boa parte dos filhos dessa classe média já procura as universidades estrangeiras, opta por empregos remunerados de forma mais justa no estrangeiro, agora foi a vez de ser destruída a estabilidade económica dos que por uma questão de idade ou de opção de vida ainda cá estão.
 O Vítor Gaspar porque é preguiçoso ou porque não vai cá estar quando se sentirem as consequências da sua política em vez de esperar que as galinhas ponham os ovos optou por as matar, a sua visão limita-se ao horizonte temporal do seu mandato, preocupa-se apenas com o seu currículo e regressar a Bruxelas dizendo que reequilibrou as contas públicas. O problema é que o último que o fez em Portugal foi igualmente tacanho e condenou o desenvolvimento do país
in O Jumento


Fernanda Câncio, hoje no Diário de Notícias e também aqui.

01 setembro 2011

SÃO DE TEMER AS MEDIDAS DESTE GOVERNO


                                                                                        

Escrevia eu, na segunda feira: são de temer as soluções que o governo nos vai apresentar. A sua prática, em apenas dois meses, leva-nos a pensar que está no seu código genético poupar quem tem muito e tirar a quem tem menos. O pior que podia acontecer é o governo tomar por "grandes fortunas" os rendimentos de quem trabalha, mas tem salários muito acima da média nacional.

OH! GASPAR... ACERTA AS CONTAS!...



Miguel Beleza, ministro das Finanças de Cavaco e antigo governador do Banco de Portugal, ontem na SICN, depois de ouvir a conferência de imprensa de Vítor Gaspar, seu antigo assessor e actual chanceler do Tesouro:«A única certeza que podemos ter em relação às previsões do ministro das Finanças é que estão erradas.»

O MÃOS DE TESOURA

                                                                              

O DESVIO COLOSSAL


                                                                                        

Entre as palavras desvio e colossal aconteceu muita coisa, o pior Presidente da República na história da democracia foi reeleito com o velho argumento de ser um professor mas sem conseguir ensinar a todos os portugueses a receita do enriquecimento, um líder partidário que era contra aumentos de impostos foi eleito primeiro-ministro, o Mário Nogueira transformou-se num comunista transgénico, o Seguro foi eleito e ficou sem referências para a sua vocação como opositor.Entre as palavra desvio e colossal deixou de existir qualquer limite para a austeridade, o presidente que se dedicou ao roteiro da exclusão esqueceu os discursos e comunicações dramática e agora descobriu os videojogos e entretém-se a brincar à política no Facebook, deixou de exigir o apoio de maiorias alargadas parlamentares para a aprovação de medidas brutais de austeridade, os assessores presidenciais desapareceram da comunicação social, as comunicações de Belém tornaram-se absolutamente seguras.

Entre as palavras desvio e colossal o Mário Nogueira sofreu uma mutação genética ao ser polinizado pela direita, deixou de mobilizar os professores contratados para perseguir o primeiro-ministro em todas as suas aparições públicas, acabaram-se as manifestações espontâneas à porta da sede dos partidos do governo, o despedimento em massa de professores deixou de ser problema, já admite uma avaliação de professores que vai muito além da desejada auto-avaliação.
Entre as palavras desvio e colossal o Francisco Louçã desapareceu, o Jerónimo de Sousa está à beira de se candidatar a um casting para a publicidade dos pudins Boca Doce, o José Seguro não sabe bem a quem se opor agora que o Sócrates lhe fez a vontade, o Nogueira Leite já aceita a eliminação dos benefícios fiscais aos clientes dos hospitais privados, os jornalistas já não se sentem asfixiados.
Entre as palavras desvio e colossal Passos Coelho deixou de pedir desculpa, descobriu que o PC IV não passava de um aperitivo, não eliminou uma das muitas gorduras do Estado, empregou um aparte da JSD, destruiu as expectativas futuras da classe média, preparou o caminho para despedimentos no Estado, retirou os controlos de qualidade nas cantinas sociais, aumentou o número de alunos por turma para poder despedir professores.
A expressão desvio colossal, com ou sem palavras ou factos no meio descreve bem o que se passou em Portugal nos últimos meses:  um desvio de valores, de princípios, de expectativas criadas, de programa político.



Miguel Beleza, ministro das Finanças de Cavaco e antigo governador do Banco de Portugal, ontem na SICN, depois de ouvir a conferência de imprensa de Vítor Gaspar, seu antigo assessor e actual chanceler do Tesouro:

«A única certeza que podemos ter em relação às previsões do ministro das Finanças é que estão erradas.»

LEMBRAM-SE DO CHUMBO DO PEC IV?




LEMBRAM-SE DO CHUMBO DO PEC IV?
Mas qual é a surpresa?
Detalhes hoje no i.

NOTÍCIAS DO DIA


Um governo que ficará mesmo na História

Combinando onde cortar mais
Nas jantaradas parece... que já cortaram nos palitos
                                                                                                                         


Este artigo do insuspeito director do Diário Económico não precisa de comentários:
    Portugal viveu ontem mais um dia histórico, mas não foi pelas melhores razões. O Governo – que não tem ainda três meses em funções – já tem o seu lugar assegurado na história das finanças públicas, independentemente dos resultados que vierem a ser registados quando terminar o ‘contrato’ com a ‘troika’, porque foi o que aprovou mais aumentos de impostos no mais curto período de tempo.

OS BESUNTAS DA FUNÇÃO PÚBLICA SÃO OS RICOS PARA O PSD

                                                                                                                                                                                  


                                                                                                                               
 Os 700 mil trabalhadores da Função Pública vão perder sete euros por cada cem de salário nos próximos três anos. Esta é a consequência do congelamento dos vencimentos, por mais dois anos, ontem anunciado pelo Governo, que representará uma quebra no poder de compra dos funcionários públicos de 7% entre 2011 e 2013. Os pensionistas serão também abrangidos pelo congelamento das pensões até 2014, dado que apenas as reformas inferiores a 246 euros por mês serão actualizadas à taxa de inflação.
Façam o favor, carneirada, de continuar a votar no "meu PSD..." (como o tratam carinhosamente
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31 agosto 2011

AS ATRIBULAÇÕES DE UM CHICO ESPERTO



A República Prostituta da Madeira

A estratégia de utilizar a ameaça da independência como forma de os governantes da Madeira conseguir mais dinheiro dos contribuintes do resto do país é tão velhinha quanto a autonomia regional, mas desta vez o Alberto João não acenou com o perigo do independentismo, ele próprio fez a ameaça, ou permitimos que a Madeira ganhe dinheiro com os esquemas de evasão fiscal do Continente ou coloca-se a questão da independência.

Em qualquer país civilizado este político seria banido, mas como Portugal é o país que é o senhor continua a exibir a sua bazófia e ainda se permite usar os dinheiros públicos para perseguir judicialmente jornalistas e quaisquer políticos adversários ou cidadãos comuns que o critiquem. Como para este senhor os dinheiros públicos abundam ainda os usa para ter um jornal privativo onde pode perseguir todos os que se lhe atravessem no caminho, sejam os “ingleses” ou os “colonialistas do contenente”.

Isto é possível devido a duas razões, a cobardia do PSD nacional que não só lhes permite os desvarios como ainda o exibe como modelo de virtudes nacionais e o oportunismo social de uma classe média madeirense enriquecida pelo poder graças aos dinheiros que os esquemas do Alberto conseguem.

Não admira que sejam poucos os madeirenses que ousem vir a público questionar o seu discurso, uns por cobardia e outros por conivência preferem o silêncio. Quanto à cobardia pouco há a dizer, o fenómeno não é novo no país, foi essa cobardia que levou a que a ditadura se prolongasse por quase cinquenta anos. Já quanto aos que são conivente com o Alberto João a questão roça o indigno.

Quando Alberto João acena com a independência caso não sejam mantidos os privilégios da zona franca está a dizer que para os madeirenses que o seguem a independência não é uma questão de princípios, é uma questão de preços. Enfim, talvez um dia tenhamos o mais original dos países independentes, a República Prostituta da Madeira

PORTUGAL TEM DE EXISTIR




   «O Verão acabou. O Governo aprova  a estratégia orçamental. É o primeiro passo formal para as medidas que vão reduzir substancialmente o poder de compra da classe média, através de preços mais elevados dos serviços públicos e de rendimentos mais reduzidos pelos impostos para quem tem emprego.

Setembro será o mês de todas as más notícias, mas também o tempo da clarificação que nos permitirá antecipar um futuro melhor, mesmo com menos soberania, ou concluir que a União Monetária como a conhecemos não tem futuro. Portugal vai piorar para melhorar se a Zona Euro conseguir ultrapassar, também em Setembro, a crise política em que está mergulhada e, claro, se o Governo conseguir executar as medidas consagradas no plano imposto pelos financiadores internacionais, a União Europeia e o FMI. [ Link]

O documento de estratégia orçamental vai consagrar, no quadro do acordo assinado com a troika a 17 de Maio, "as previsões económicas e orçamentais" a quatro anos. Chegará depois a subida da electricidade e do gás por antecipação do aumento do IVA; as medidas na área da saúde, que vão aumentar a factura suportada pelos cidadãos; o corte no subsídio de Natal; e no início do ano, com a entrada em vigor do Orçamento do Estado para 2012, mais impostos - ou cortes nos benefícios fiscais - e os efeitos da redução da despesa pública não só no Estado (como, por exemplo, na saúde), mas também nas autarquias, nas regiões e nas empresas públicas, municipais e regionais.
  Não tenhamos ilusões. O Estado gastar menos significa para cada um de nós gastar mais com menos rendimento, já que não se verifica no curto prazo aquela promessa de menos impostos. E será a classe de rendimentos médios que mais vai sentir o impacto da violenta austeridade que agora se vai iniciar.
  O "Passe Social+", ou preços dos transportes mais baixos para quem tem rendimentos abaixo dos 545 euros mensais, ontem anunciados, é apenas um exemplo do que vai acontecer à classe média em muitas outras áreas, como as da saúde e da Segurança Social. A condição de recurso, como se designa a regra de acesso aos serviços fornecidos pelo Estado em função do rendimento, vai provocar um significativo aumento dos preços para rendimentos pouco superiores aos 700 ou 800 euros. Corremos o risco de passar do excesso de gratuitidade para uma situação em que só quem estiver muito perto da pobreza terá acesso a serviços subsidiados pelo Estado.
É um mundo de relação com o Estado completamente diferente do que conhecemos desde praticamente o 25 de Abril de 1974. Passar de um mundo de estado social para quase todos para assistência social apenas aos desfavorecidos dos desfavorecidos, ao mesmo tempo que se aumenta os impostos e se corta salários, é extremamente perigoso para a coesão do País.
  O caminho que Portugal tem de percorrer até aos primeiros meses do próximo ano é muito estreito e repleto de perigos bastante mais graves do que os puramente financeiros. A classe média endividada, e sobre a qual estão a cair os impostos e os cortes de despesa, pode não aguentar. E nunca ninguém sabe qual é a gota de água que faz transbordar o copo. Na Tunísia, tudo começou com um jovem licenciado que se imolou pelo fogo quando a polícia lhe confiscou a fruta que tentava vender na rua.
  O Governo e as elites portuguesas têm de pensar menos em finanças e mais em economia e política. O que quer isso dizer? Há medidas que dão receitas de tostões mas valem milhões em paz social. Chegou a hora de vermos se temos Portugal ou apenas um grupo de pessoas desunidas que por acaso vivem no mesmo espaço.»
[Jornal de Negócios]
Por Helena Garrido