Como está sr. Feliz… Como vai sr. Contente… Diga à gente… Diga à gente… Como vai este País.” E depois da canção lá apareceram
Dupont e
Dupont. Vinham de mão dada para o frente-a-frente, o que constituiu a primeira surpresa da noite. Francisco
Louçã e Jerónimo de Sousa,
acabadinhos de chegar da missa e de se confessarem, de
fatinho engomado, cabelo a preceito e voz mansa entre tantos salamaleques. Um dizia mata, o outro esfola. Os dois a malharem em Sócrates.O frente-a-frente chegou ao fim no mesmo tom
delico-doce com que começou. Bloco de Esquerda e PCP aparentemente têm as mesmas ideias, no essencial são iguais, apresentam propostas semelhantes, escolheram o mesmo inimigo (Sócrates!), falam da mesma maneira e preconizam um fim trágico para o actual primeiro-ministro. A adjectivação era curiosa e ao mesmo tempo ridícula. A política desastrosa de Sócrates dizia
Louçã… a desastrosa política de Sócrates, rematava Jerónimo. No final ficou a imagem de que nada separava o bloco do PCP e que os dois lutavam
denodadamente para eleger Manuela Ferreira Leite. A cassete era a mesma, as críticas e os insultos eram tirados a papel químico.Quer um quer outro partido não estão disponíveis para coligações
governamentais, nem para acordos de incidência parlamentar, etc… etc... Ou seja, PC e Bloco querem estar longe de quaisquer responsabilidades governativas
.* É isto que torna o voto nestes partidos um voto sem
consequências.
Louçã e Jerónimo continuam fiéis a princípios fundadores do
estalinismo – o poder só se alcança pela força e para isso é preciso instaurar o caos do quanto pior, melhor.A velha cartilha marxista-
leninista continua a imperar nos dois partidos da extrema-esquerda. Governar? Apoiar um Governo? Nem pensar.
Louçã e Jerónimo preferem Manuela em São Bento (quanto pior, melhor). Lutam com todas as forças para impedir a vitória de Sócrates nas próximas eleições. Mas a realidade portuguesa é complexa e tem as suas peculiaridades. PCP e Bloco, cada um per si, não chegam aos dois dígitos. Os eleitores que pensam votar nesses partidos têm de saber que esse voto não se traduz em benefícios para o País. É votar por votar.
O propósito de eleger Manuela Ferreira Leite, que foi uma má ministra da Educação e uma péssima ministra das Finanças, em detrimento de Sócrates, que fez reformas, iniciou a modernização de Portugal, estimulou o progresso, diz tudo sobre os propósitos de cada uma dessas forças. Dois partidos de esquerda(?!) preferem, a partir do final deste ano, políticas conservadoras e de direita. Custa a acreditar, mas é verdade.
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