02 abril 2009

ARISTIDES DE SOUSA MENDES

Morreu no dia 3 Abril de 1954. Numa cama de o Hospital da Ordem Terceira. Com um livro de Santo Agostinho nos braços. Na escabrosa solidão. No abandono imerecido. Aristides de Sousa Mendes. Homem de fé católica, de coragem irrepetível e de consciência acima da fortaleza humana, castigado, criminosamente, em vida pelo mal que nunca fez, vestiu a morte com a mortalha de franciscano. Passados cinquenta e cinco anos sob o decesso do único diplomata português que, durante a sanguinária ameaça nazi, preferiu salvar milhares pessoas a deixá-las morrer, não basta que o recordemos, mas também que reconheçamos alguém que esteve muito acima do momento. Nunca é demais escrever. Repetir. Os verbos serão sempre poucos. E as gerações não podem esquecer. Um país sem memória é um corpo sem alma. No ano de 1940, já o carrasco de Hitler dominava a Europa, o cônsul de Portugal em Bordéus contrariou as normas impetuosas do Antigo Regime, expressas na Circular 14, emitida a 11 de Novembro de 1939, o despacho do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que, sem prévio aval oficial, não autorizava os consulados a ceder vistos a quem fugisse do terror nazi. Aristides de Sousa Mendes pediu e pediu autorização para carimbar passaportes a foragidos. Mas o MNE nunca esteve à altura da humanidade. Nenhum pedido de Aristides foi aceite. Mais alto do que o peso da sua numerosa família e das ameaças disciplinares de Salazar estava a aflição do mar de refugiados, que, angustiados, esperavam o milagre nas imediações do consulado português. E o milagre consciente aconteceu. Aristides de Sousa Mendes passou vistos a todos. O salvamento que dera a judeus, anti-fascistas, comunistas e a todos que se encontravam na mira do talho nazi, acabou por ser a sua cova. A ditadura castigou-o. Expulsou-o do corpo diplomático.Empurrou-o para a miséria. Mato-o Morreu, faz hoje 55 um homem de espírito exemplar, que Portugal livre merece

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