23 março 2011

NO PSD JÁ NEM O CALCULISMO POLÍTICO SE APROVEITA


O tempo tem sido bastante escasso para ir actualizando o blog, mas, de facto, assuntos não têm faltado.
E, nos últimos dias, o assunto mais falado (no âmbito da política nacional, entenda-se) tem sido a intransigência do PSD em debater a actualização anual do PEC, apresentada pelo Governo.                                                         
Esta intransigência assume contornos ridículos por duas ordens de motivos: a primeira, óbvia, prende-se com o facto desta actualização anual constituir uma obrigatoriedade para vários Estados-membros; a segunda, igualmente óbvia, relaciona-se com o facto de, há escassas três semanas, Pedro Passos Coelho ter afirmado em entrevista à Antena 1 que o PSD estaria interessado e disponível para negociar com o Governo uma actualização do PEC (aqui, no Câmara Corporativa ou aqui, em vídeo colocado no YouTube).
Mas esqueçamos o óbvio: vamos assumir, por momentos, que uma obrigatoriedade comunitária é uma "peça de teatro" e que uma contradição flagrante face a algo que se disse numa entrevista é que deve ser levada a sério.
Ora, hoje, Pedro Passos Coelho veio afirmar que o Governo apresentou a actualização ao PEC apenas para poder vir a responsabilizar o PSD por um pedido de ajuda que, de acordo com o líder do PSD, até já se encontra a ser preparado.
Em termos políticos, este foi um dos maiores "tiros no pé" de que me consigo recordar. E percebe-se porquê em poucas palavras.
Com efeito, se de facto o PSD considera que o Governo está a apresentar estas medidas, sabendo que não serão aprovadas pelo maior partido da oposição, para, posteriormente, ser responsabilizado por um pedido de ajuda externa que até já está a ser preparado, por que motivo é que o PSD não aceitou de imediato estas medidas, deixando o Governo agarrado à responsabilidade de um posterior pedido de ajuda externa?
De facto, a acreditar nas palavras de Pedro Passos Coelho, o PSD colocou-se, de forma consciente e deliberada, numa posição em que pode, legitimamente, ser co-responsabilizado por uma eventual ajuda externa, mas ao mesmo tempo afirma que o Governo é que se está a vitimizar.Isto, de forma muito simples, não faz qualquer sentido.
Regressemos à realidade. É uma pena que o PSD continue absolutamente desligado da política séria, em prol do país e dos portugueses. Em vez disso, embarca nestas encenações bacocas, que custam dinheiro aos portugueses e, em bom rigor, nos envergonham além fronteiras.

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