03 dezembro 2011



A LER n.º 108 / Dezembro está na rua. Mário Soares, que faz 87 anos na próxima quarta-feira, dia 7, é o entrevistado de Carlos Vaz Marques. O pretexto próximo é a publicação de Um Político Assume-se, o ensaio autobiográfico que o Círculo de Leitores e a editora Temas & Debates acabam de publicar. Sobre o livro, escreve Joaquim Vieira. Voltando à entrevista, destaco um episódio relacionado com Saramago: «Quando morreu o Ary dos Santos [...] eu era primeiro ministro, resolvi ir ao enterro dele. Pois se eu era amigo dele e ele era um grande escritor, porque é que eu não havia de ir lá por ele ser comunista? [...] Ninguém me falou, toda a gente voltou a cara. Nessa altura, foi a que foi mulher do Saramago antes da Pilar, [a escritora Isabel da Nóbrega] de quem eu era amigo desde tempos imemoriais, quando ela ainda vivia com o Gaspar Simões, que me veio dizer ‘Mário vá-se embora, que estes tipos têm-lhe ódio, são uns fanáticos’ [...] anos depois, graças em parte à Pilar, voltei a ter relações de grande proximidade com Saramago.» Mas não esperem confissões íntimas: «Não entro na minha vida pessoal. Sou um marido com 62 anos de casado.» Ponto. Destaco ainda um ensaio de Gustavo Rubim sobre Alves Redol, cujo centenário do nascimento ocorre no próximo dia 29. O resto, que é muito, inclui crónicas — a minha é sobre Tony Judt —, recensões críticas, resenhas, artigos de vária índole, a coluna do Provedor, uma conversa com Miguel Gonçalves Mendes, etc. Há ainda o Best of 2011 da revista (trinta livros) e as escolhas de dez críticos (cem livros), mas uma coisa não decorre da outra: são listas autónomas. Numa banca ou livraria perto de si.

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